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Setembro Amarelo: cuidado com a saúde emocional precisa começar na infância

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A campanha do Setembro Amarelo lança luz sobre a valorização da vida e a atenção à saúde mental, mas especialistas alertam que a construção do bem-estar emocional não deve se restringir a momentos específicos ou a faixas etárias mais avançadas.

O aprendizado sobre como reconhecer, nomear e expressar sentimentos precisa ser cultivado desde a infância, criando bases sólidas para que crianças e adolescentes desenvolvam o seu lado emocional e se sintam seguros para lidar com as situações e pedir ajuda.

A necessidade de atenção precoce é reforçada por dados que revelam desafios nas relações interpessoais e na convivência diária dos estudantes. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE/IBGE) divulgada neste ano, 27,2% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos relataram ter sofrido bullying duas ou mais vezes no período de um mês, um aumento em relação aos 23% registrados em 2019.

Além disso, 12,7% relataram episódios de cyberbullying. Os números acendem um alerta para o impacto da agressividade e da exclusão na saúde mental, no aprendizado e na permanência dos jovens na escola, aspecto também destacado em orientações do Ministério da Saúde.

Diante desse cenário, o ambiente escolar se consolida como um espaço estratégico para a promoção da saúde emocional e a construção de vínculos saudáveis já desde a infância. Segundo Cinthia Lopes Pequeno, psicóloga e conselheira da Maple Bear Fortaleza, a prevenção efetiva passa por criar uma cultura de escuta e acolhimento contínuos.

“O Setembro Amarelo é um momento importante de conscientização, mas o cuidado emocional precisa acontecer todos os dias. Quando ensinamos uma criança a compreender o que sente e a respeitar a dor do outro desde cedo, estamos prevenindo o isolamento e preparando jovens mais confiantes para buscar apoio quando precisarem”, destaca.

Na prática pedagógica, esse trabalho envolve a mediação de conflitos, projetos voltados à empatia e a formação constante dos educadores para identificar sinais discretos de sofrimento ou alteração de comportamento. Na Maple Bear Fortaleza, o desenvolvimento socioemocional integra o cotidiano por meio de dinâmicas adequadas a cada fase, como a proposta da “Almofada da Empatia”,  uma dinâmica voltada para crianças de 3 a 5 anos que estimula o reconhecimento de emoções no rosto dos colegas. O objetivo é incentivar a associação de estados emocionais e passar a ter atitudes concretas de cuidado.

À medida que os alunos chegam à adolescência, as ações voltam-se para as transformações sociais dessa etapa da vida, e o impacto das interações digitais na autoestima. “Nesse processo, a aliança entre escola e família é indispensável. Mudanças repentinas de comportamento, isolamento, quedas no rendimento ou recusa em frequentar as aulas devem ser observadas com atenção por pais e professores. A escola não substitui a atuação de profissionais de saúde mental, mas cumpre um papel fundamental de acolhimento, orientação e encaminhamento das famílias quando necessário”, afirma Cinthia.

De tal modo, para a especialista, se reforça que o Setembro Amarelo, portanto, pode ser um momento para ampliar essa conversa, mas o cuidado emocional não deve se restringir ao mês. Construir uma escola onde crianças e adolescentes se sintam ouvidos, respeitados e pertencentes é um trabalho contínuo, que também faz parte da formação para a vida.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

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