Home Brasil Polícia Federal prende Braga Netto; prisão é mantida após audiência de custódia

Polícia Federal prende Braga Netto; prisão é mantida após audiência de custódia

8 min read
0
0
87

A Polícia Federal prendeu, na manhã deste sábado (14), o ex-ministro da Defesa e general Walter Braga Netto. Ele é um dos alvos do inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado no país após as eleições de 2022. Braga Netto foi preso no Rio de Janeiro. A PF realizou buscas na casa do general, em Copacabana.

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de decretar a prisão do general Walter Braga Netto foi fundamentada pela tentativa de obter detalhes da delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, para a Polícia Federal em setembro do ano passado.

De acordo com a Polícia Federal, Braga Netto, as ações do ex-ministro estaria atrapalhando as investigações, principalmente “na livre produção de prova durante a instrução do processo penal”. De acordo com o relatório da PF, há “diversos elementos de prova” contra Braga Netto, que teria atuado para impedir a total elucidação dos fatos e “com o objetivo de controlar as informações fornecidas, alterar a realidade dos fatos apurados, além de consolidar o alinhamento de versões entre os investigados”. Entre eles, trocas de mensagens com pai de Mauro Cid para conseguir detalhes da delação e repassado dinheiro “em uma sacola de vinho, que serviria para o financiamento das despesas necessárias à realização” do plano de golpe.

General Braga Netto foi preso em Copacabana, na manhã deste sábado (14), e levado para a sede da Policia Federal — Foto: José Lucena/Estadão
Foto: José Lucena/Estadão

A PF diz que as ações podem ser caracterizadas como obstrução de Justiça. Os mandados de prisão preventiva, busca e apreensão foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda durante esse sábado, o general e ex-ministro Walter Braga Netto passou por audiência de custódia conduzida por um juiz auxiliar do gabinete de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a prisão de Braga Netto.

A prisão preventiva de Braga Netto foi mantida, informou o STF. O ex-ministro ficará detido no Comando Militar do Leste, no Rio de Janeiro.

O general foi candidato a vice-presidente em 2022 na chapa com Jair Bolsonaro. Antes, ocupou os cargos de ministros da Casa Civil e da Defesa na gestão de Bolsonaro. Em 2018, comandou a intervenção federal na segurança do estado do Rio de Janeiro.

Prisão

Em relatório enviado ao STF, no mês passado, a Polícia Federal apontou que Braga Netto teve participação concreta nos atos relacionados à tentativa de golpe de Estado e da abolição do Estado Democrático de Direito, inclusive na tentativa de obstrução da investigação. Na ocasião, a PF indiciou o militar e mais 36 acusados, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As instalações onde Braga Netto ficará preso fazem parte da Vila Milita do Exército no Rio de Janeiro. – Foto: Cb Francilaine/Exército do Brasil/ND
As instalações onde Braga Netto ficará preso fazem parte da Vila Milita do Exército no Rio de Janeiro. – Foto: Cb Francilaine/Exército do Brasil/ND

A Polícia Federal (PF) apurou ainda que uma das reuniões realizadas para tratar do plano golpista para impedir a posse e matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice, Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes  foi realizada na casa do general Braga Netto, no dia 12 de novembro de 2022.

Nas investigações do inquérito do golpe, divulgadas em novembro, a polícia afirmou ter na mesa do coronel Peregrino, na sede do Partido Liberal (PL), um esboço de ações planejadas para a denominada “Operação 142”. O nome dado ao documento faz alusão ao artigo 142 da Constituição Federal que trata das Forças Armadas e que, segundo a PF, era uma possibilidade aventada pelos investigados como meio de implementar uma ruptura institucional após a derrota eleitoral do então presidente Bolsonaro. O documento encerra o texto com frase “Lula não sobe a rampa”.

Defesa

Os advogados de defesa do general  Walter Braga Netto divulgaram uma nota, na tarde desse sábado (14), em que manifestaram a crença no “devido processo legal” e que “teremos a oportunidade de comprovar que não houve qualquer obstrução as investigações”.

Os advogados Luís Henrique Cesar Prata, Gabriela Leonel Venâncio e Francisco Eslei de Lima, todos da Prata Advocacia, de Brasília, divulgaram que tomaram conhecimento “parcial”, pela manhã, da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), e que vão se manifestar nos autos do processo após “plena ciência dos fatos que ensejaram a decisão proferida”.

O general foi candidato a vice-presidente em 2022 na chapa com Jair Bolsonaro. Antes, ocupou os cargos de ministros da Casa Civil e da Defesa na gestão de Bolsonaro. Em 2018, comandou a intervenção federal na segurança do estado do Rio de Janeiro.

 

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Brasil

Deixe um comentário

Verifique também

Estátua da Menina Benigna será inaugurada em Santana do Cariri neste sábado (25)

A estátua da beata Benigna Cardoso, conhecida popularmente como Menina Benigna, será inaug…