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Mentiras Infantis: os limites entre a imaginação e problemas emocionais

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Crianças mentem às vezes, mesmo que tenham sido ensinadas pelos pais sobre a importância de não mentir, e as razões para que isso aconteça são diversas. Desde a ingenuidade própria da idade até o medo de enfrentar as consequências de seus atos.

Às vezes, a mentira é apenas uma brincadeira, uma fantasia, o que é normal no imaginário infantil. Estimular a criatividade e a imaginação é fundamental para um bom desenvolvimento cognitivo e emocional. Mas é importante ensiná-las a distinguir a fantasia da realidade e a entender as consequências das ‘histórias inventadas’ na vida real.

No entanto, em outros momentos, a mentira pode ser para evitar a repreensão dos pais ou para obter benefícios. É importante perceber que essas mentiras em muitas ocasiões surgem como mecanismos de defesa ou para evitar lidar com sentimentos desconfortáveis, como o medo ou a culpa.

A linha entre uma mentira inofensiva e uma que pode causar danos é tênue. Os pais devem ficar atentos. Quando a mentira se torna compulsiva e prejudica a vida da criança ou de outras pessoas, é necessário intervir. A mentira patológica pode resultar em sérios danos emocionais e sociais.

A criança que mente compulsivamente pode ter um problema de saúde mental. É preciso estar atento aos padrões de mentiras e se elas se tornam frequentes e prejudiciais. Quando a criança é alertada e orientada e mesmo assim continua mentindo ela pode ser considerada mitomaníaca (compulsão para a mentira) e é importante buscar ajuda profissional para entender e abordar as causas desse comportamento.

Por isso os pais devem confrontar os filhos com a verdade e explicar as consequências de mentir. É importante iniciar esse processo de distinção entre a verdade e a mentira desde cedo e sempre manter o diálogo aberto sobre o assunto.

Os responsáveis – pais, avós, educadores e familiares – devem observar caso as mentiras se tornem frequentes e acompanhadas de outros comportamentos como o isolamento social ou agressividade. Isto pode ser um sinal de alerta para problemas emocionais ou de desenvolvimento.

O diálogo aberto e o apoio emocional são essenciais para orientar as crianças e entender a razão das mentiras infantis. Estabelecer limites desde cedo, ressaltando os valores éticos como honestidade, respeito e responsabilidade, ajudam a formar o comportamento infantil e contribuem para que cresçam éticos e responsáveis.

Por Andreia Calçada é psicóloga clínica e jurídica. Perita do TJ/RJ em varas de família e assistente técnica judicial em varas de família e criminais em todo o Brasil. Mestre em sistemas de resolução de conflitos e autora do livro “Perdas irreparáveis – Alienação parental e falsas acusações de abuso sexual”.

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