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Companhia francesa de energia é autorizada a instalar data center no Pecém

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O Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) aprovou a instalação de um data center da Voltalia Energia do Brasil na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Pecém, na Grande Fortaleza. O investimento previsto para o empreendimento é de R$ 181,7 bilhões, com geração de 2,7 mil empregos, sendo 2,3 mil nas obras e 400 na fase operacional. A decisão foi anunciada na última terça-feira (25).

Aprovação bilionária no Pecém

O projeto do data center da Voltalia é, de forma disparada, o que reúne as maiores cifras em investimento entre os cinco novos projetos industriais e de serviços aprovados para três ZPEs em operação no Brasil. Além do Pecém, Bacabeira (MA) e Parnaíba (PI) têm zonas de processamento de exportação ativas e foram contempladas. A magnitude do aporte reflete a aposta da companhia francesa no potencial do Ceará como polo de infraestrutura digital.

A ZPE do Pecém tem três empreendimentos em operação, de acordo com o MDIC. Outros 14, incluindo o equipamento da Voltalia, estão aprovados para instalação. A maioria deles é relacionada a data centers, totalizando 11 empreendimentos. Esse cenário consolida a região como um hub estratégico para o setor, atraindo investimentos de grande porte e gerando empregos qualificados.

Voltalia diversifica atuação

Até o momento, a Voltalia concentra os projetos em energias renováveis, como eólica, solar e biomassa, e no armazenamento de eletricidade, com atuação em 15 países. No Brasil, a empresa tem projetos eólicos e solares há mais de 10 anos, em especial no Cluster de Serra Branca, no interior do Rio Grande do Norte. A entrada no segmento de data centers representa uma expansão significativa do portfólio da companhia.

Para o Ceará, a companhia francesa tinha um pré-contrato assinado com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) para a produção de hidrogênio verde. O investimento previsto é de US$ 3 bilhões com a criação de cerca de 5 mil empregos durante a fase de implantação. No fim de 2025, André Magalhães, diretor comercial do Cipp, anunciou que a Voltalia havia dividido as atenções de investimentos no Pecém, priorizando também o segmento de data centers.

Data center Voltalia Ceará recebe aval bilionário
Foto: Reprodução

Hub de data centers em formação

A região já conta com um equipamento de hiperescala em construção. Trata-se do data center da Omnia, que terá como principal cliente a ByteDance, dona da rede social TikTok. O investimento ultrapassa os R$ 200 bilhões, e o início das operações deve ocorrer em 2027. A chegada da Voltalia amplia ainda mais a capacidade instalada e reforça a atratividade do Pecém para grandes players globais de tecnologia.

A concentração de 11 data centers aprovados na ZPE do Pecém indica uma tendência de longo prazo. A infraestrutura portuária, a disponibilidade de energia renovável e os incentivos fiscais das ZPEs são fatores que contribuem para esse movimento. Para o empresariado do interior paulista, especialmente de Araçatuba e região noroeste, o avanço desses projetos pode abrir oportunidades indiretas em cadeias de suprimentos, serviços especializados e logística.

Impacto econômico e empregos

Os 2,7 mil empregos previstos para o data center da Voltalia se dividem em 2,3 mil durante as obras e 400 na fase operacional. A construção de um empreendimento dessa escala demanda mão de obra intensiva, desde engenheiros e técnicos até trabalhadores da construção civil. Na operação, os postos tendem a ser mais especializados, envolvendo manutenção de equipamentos, segurança da informação e gestão de infraestrutura.

Embora os empregos diretos estejam concentrados no Ceará, os efeitos econômicos podem se espalhar pelo país. Fornecedores de componentes elétricos, sistemas de refrigeração, estruturas metálicas e serviços de consultoria podem ser demandados de outras regiões. Empresas do noroeste paulista com atuação em setores correlatos podem encontrar nichos de fornecimento, especialmente se houver políticas de conteúdo local ou parcerias estratégicas.

Perspectivas para o setor

A aprovação do data center da Voltalia sinaliza a continuidade de investimentos robustos em infraestrutura digital no Brasil. A demanda por processamento de dados, impulsionada por inteligência artificial, streaming e serviços em nuvem, deve manter o setor aquecido nos próximos anos. Para os empresários, acompanhar esses movimentos é essencial para identificar oportunidades de negócios, seja no fornecimento de insumos, na prestação de serviços ou na capacitação profissional.

O CZPE, ao aprovar cinco novos projetos para três ZPEs, demonstra o papel dessas zonas como instrumentos de atração de capital estrangeiro e geração de empregos. A ZPE do Pecém, em particular, se destaca pela vocação para data centers, com 11 empreendimentos aprovados. Esse ecossistema pode gerar sinergias com outros setores, como o de energias renováveis, no qual a Voltalia já possui expertise consolidada.

Para o comércio e a indústria do interior de São Paulo, o desafio é se posicionar para capturar parte dessa cadeia de valor. A distância geográfica não impede a participação em licitações, parcerias ou fornecimento de produtos e serviços especializados. Além disso, a experiência adquirida em projetos de grande porte pode ser replicada em outras regiões do país, ampliando o mercado para empresas locais.

Em resumo, a aprovação do data center da Voltalia no Pecém é um marco para o setor de tecnologia e infraestrutura no Brasil. Com investimento bilionário e geração significativa de empregos, o projeto reforça a posição do Ceará como polo de data centers e abre perspectivas para toda a cadeia produtiva nacional.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

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