Home Geral Arcebispo de Fortaleza diz que feminicídio é “uma das chagas mais dolorosas da sociedade”

Arcebispo de Fortaleza diz que feminicídio é “uma das chagas mais dolorosas da sociedade”

5 min read
0
0
85

O arcebispo de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, OSB, fez um forte apelo contra o feminicídio ao comentar o Evangelho do terceiro domingo da Quaresma, no canal do Youtube da Arquidiocese de Fortaleza, neste sábado (7). Em mensagem semanal aos fiéis, o arcebispo relacionou o encontro de Jesus com a mulher samaritana, narrado em Evangelho de João 4,5-42, com a necessidade de combater a violência contra as mulheres e convocou um pacto social para enfrentar o problema.

Na reflexão, Dom Gregório destacou que o diálogo de Jesus com a samaritana revela uma atitude de respeito e valorização da dignidade feminina, rompendo preconceitos e barreiras culturais. Segundo ele, essa atitude do Evangelho confronta diretamente a realidade de violência vivida por muitas mulheres.

Dom Gregório também citou um alerta recente do Papa sobre a necessidade de transformar relações marcadas pela dominação e pela violência. “Quero chamar sua atenção para um assunto importante que diz respeito a todos nós. O Papa Leão XIV recordou recentemente, com muita dor, que o Espírito quer transformar também os perigos ocultos que envenenam nossas relações, como a vontade de dominar o outro, atitude que frequentemente desemboca na violência. E ele mencionou explicitamente os casos de feminicídio.”

Durante a mensagem, o arcebispo apresentou dados recentes que revelam a gravidade da situação no país e no estado. “O feminicídio é uma das chagas mais dolorosas de nossa sociedade. O ano de 2025 foi o mais trágico da história recente do nosso país nesse aspecto: mais de 1.470 mulheres foram assassinadas, uma média de quatro por dia. No Ceará, foram 47 vidas interrompidas. Só neste último mês de fevereiro, três mulheres perderam a vida vítimas dessa violência.”

Para Dom Gregório, a violência contra a mulher contradiz diretamente a mensagem do Evangelho. “Isso nos fere como cristãos. O encontro de Jesus com a samaritana nos ensina que nenhuma mulher pode ser vista como objeto, como posse, como alguém a ser dominada. Toda mulher é filha amada de Deus, merece respeito, proteção e dignidade.”

Diante do cenário, o arcebispo defendeu uma mobilização ampla para enfrentar o problema e impedir que os casos sejam tratados como algo comum. “Por isso, eu os convido cheio de convicção: Igreja, poder público, sociedade civil e todas as pessoas de boa vontade, precisamos fazer um pacto para estancar essa sangria. Não podemos naturalizar a violência. Precisamos educar para o respeito, denunciar o abuso e promover relações saudáveis, iluminadas pelo Evangelho.”

Ao concluir a mensagem quaresmal, Dom Gregório reforçou o convite à conversão pessoal e social, pedindo que a espiritualidade da Quaresma leve à transformação das relações humanas e à promoção da vida.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Geral
Comentários estão fechados.

Verifique também

Ministério da Saúde alerta para risco de casos de sarampo após Copa

O Ministério da Saúde emitiu alerta sobre o risco iminente de reintrodução e disseminação …