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Arcebispo de Fortaleza diz que feminicídio é “uma das chagas mais dolorosas da sociedade”

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O arcebispo de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, OSB, fez um forte apelo contra o feminicídio ao comentar o Evangelho do terceiro domingo da Quaresma, no canal do Youtube da Arquidiocese de Fortaleza, neste sábado (7). Em mensagem semanal aos fiéis, o arcebispo relacionou o encontro de Jesus com a mulher samaritana, narrado em Evangelho de João 4,5-42, com a necessidade de combater a violência contra as mulheres e convocou um pacto social para enfrentar o problema.

Na reflexão, Dom Gregório destacou que o diálogo de Jesus com a samaritana revela uma atitude de respeito e valorização da dignidade feminina, rompendo preconceitos e barreiras culturais. Segundo ele, essa atitude do Evangelho confronta diretamente a realidade de violência vivida por muitas mulheres.

Dom Gregório também citou um alerta recente do Papa sobre a necessidade de transformar relações marcadas pela dominação e pela violência. “Quero chamar sua atenção para um assunto importante que diz respeito a todos nós. O Papa Leão XIV recordou recentemente, com muita dor, que o Espírito quer transformar também os perigos ocultos que envenenam nossas relações, como a vontade de dominar o outro, atitude que frequentemente desemboca na violência. E ele mencionou explicitamente os casos de feminicídio.”

Durante a mensagem, o arcebispo apresentou dados recentes que revelam a gravidade da situação no país e no estado. “O feminicídio é uma das chagas mais dolorosas de nossa sociedade. O ano de 2025 foi o mais trágico da história recente do nosso país nesse aspecto: mais de 1.470 mulheres foram assassinadas, uma média de quatro por dia. No Ceará, foram 47 vidas interrompidas. Só neste último mês de fevereiro, três mulheres perderam a vida vítimas dessa violência.”

Para Dom Gregório, a violência contra a mulher contradiz diretamente a mensagem do Evangelho. “Isso nos fere como cristãos. O encontro de Jesus com a samaritana nos ensina que nenhuma mulher pode ser vista como objeto, como posse, como alguém a ser dominada. Toda mulher é filha amada de Deus, merece respeito, proteção e dignidade.”

Diante do cenário, o arcebispo defendeu uma mobilização ampla para enfrentar o problema e impedir que os casos sejam tratados como algo comum. “Por isso, eu os convido cheio de convicção: Igreja, poder público, sociedade civil e todas as pessoas de boa vontade, precisamos fazer um pacto para estancar essa sangria. Não podemos naturalizar a violência. Precisamos educar para o respeito, denunciar o abuso e promover relações saudáveis, iluminadas pelo Evangelho.”

Ao concluir a mensagem quaresmal, Dom Gregório reforçou o convite à conversão pessoal e social, pedindo que a espiritualidade da Quaresma leve à transformação das relações humanas e à promoção da vida.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

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