Home Economia Bares e Restaurantes estão em colapso, com dívidas e baixos retornos, revela pesquisa

Bares e Restaurantes estão em colapso, com dívidas e baixos retornos, revela pesquisa

7 min read
0
0
174

Nova pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que a situação do setor de alimentação teve deterioração no primeiro mês do ano, com muitas empresas ainda patinando para se recuperar dos tombos causados pela pandemia.

A pesquisa ouviu 1477 empresas de todo o país e revelou que quase um quarto delas (23%) registraram prejuízo em janeiro, um crescimento de 4 pontos percentuais em relação ao resultado de dezembro. Outros 43% trabalharam com lucro (queda de 4 pontos) e 34% ficaram em estabilidade.

O Ceará seguiu a mesma tendência, com cerca de 22% registrando prejuízo em janeiro, enquanto outros 38% tiveram estabilidade e 40% tiveram lucro. Quando se analisa a inflação, um pouco mais da metade, cerca de 56%, não estão conseguindo reajustar os preços conforme a média da inflação, que foi de 5,77% durante o período de 16 a 27 de fevereiro.

”No Ceará, apesar do endividamento e baixo retorno aos bares e restaurantes, o empreendedor contratou mais acreditando na recuperação do setor, porém com a pressão crescente das dívidas, os estabelecimentos estão atrasando o pagamento de tributos e com recente sinalização de aumento de impostos pelo Governo do Estado do Ceará, isso deve agravar ainda mais a situação de bares e restaurantes e freiar os números de contratações de mão de obra pelo resto do ano, mostrando possível cenário de recessão pelo setor que mais emprega no Brasil. É uma situação desesperadora e desestruturante do setor”, afirma Taiene Righetto, presidente da Abrasel no Ceará.

Segundo Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel Nacional, este é o item de despesa em que a falta de pagamento leva algum tempo para gerar consequências que afetam o funcionamento da empresa, mas uma hora a conta chega.

Nacionalmente, a pesquisa revelou que 55% das empresas não fizeram reajuste de preços, sendo que 29% fizeram reajustes abaixo do índice e 26% não conseguiram fazer reajuste algum. Outros 35% aumentaram conforme a média e apenas 10% aumentaram o cardápio acima deste índice.

O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, destaca a importância de o governo federal atentar para a piora do quadro, principalmente quanto às empresas que ainda sofrem os efeitos devastadores do período de restrições, com endividamento alto e pagamentos em atraso.

Segundo Salmucci, “em média, 10% do faturamento das empresas que tomaram empréstimos está sendo aplicado em pagar dívidas bancárias, um índice muito alto. Não à toa, a inadimplência em relação a empréstimos de linhas regulares já atinge uma em cada cinco destas empresas”.

A pesquisa ainda revelou que 66% das empresas têm hoje empréstimos bancários contratados. A inadimplência é de 21% entre os que tomaram dinheiro de linhas regulares e de 13% entre os que aderiram ao Pronampe (a média do programa no Brasil é de 5,2%).

Além disso, em média 10,3% do faturamento das empresas que têm empréstimos está empenhado em pagar as parcelas. Para um terço delas (33%), está acima deste patamar (24% têm entre 11% e 20% do faturamento empenhados, e para 9% o percentual está acima de 20%).

Violência contra a mulher

Por fim, a pesquisa também abordou o tema do assédio e violência contra mulheres nos estabelecimentos de alimentação fora do lar, um tema importante para a sociedade que voltou recentemente à baila com projetos de lei e decretos em estados e municípios. De acordo com a pesquisa, 80% dos estabelecimentos já implantaram ou pretendem implantar sinalização sobre canais de denúncia ao assédio contra mulheres – 13% já implantaram e 67% pretendem implantar em breve.

Outras medidas que têm ampla adesão são o treinamento dos funcionários para lidar com as situações de assédio/violência (78%) e protocolo para acionamento imediato de autoridades (74%). Entre as medidas consideradas menos viáveis estão vigilância especial em áreas isoladas ou com pouca iluminação (52% creem não ser viável para o estabelecimento) e espaço físico reservado para o acolhimento (58% não veem viabilidade na implantação em seu estabelecimento).

No Ceará, 81% dos estabelecimentos já implantaram ou pretendem implantar sinalização sobre canais de denúncia ao assédio contra mulheres.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Economia

Deixe um comentário

Verifique também

Agonorexia e uso indiscriminado de canetas emagrecedoras acendem alerta na saúde, afirma médica

O crescimento da busca por medicamentos injetáveis para emagrecimento tem acendido um novo…