Home Saúde 6,5 milhões de brasileiras sofrem com endometriose: entenda o que é e qual o tratamento

6,5 milhões de brasileiras sofrem com endometriose: entenda o que é e qual o tratamento

10 min read
0
0
133

A endometriose, doença que acomete 6,5 milhões de mulheres no Brasil, ganhou repercussão nos últimos dias depois que a cantora Anitta revelou ter recebido um diagnóstico e que passará por cirurgia. O dado sobre a ocorrência entre brasileiras faz parte de um levantamento feito em 2020 pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). No mundo, são 176 milhões de casos.

Ao se manifestar em uma rede social, a artista disse querer que mais pessoas falem sobre o tema e que mulheres recebam o apoio necessário. “[Que] Mulheres que precisam da saúde pública possam ter mais recursos e melhorias de vida. E também para que as mulheres que trabalham tenham direitos no sentido de não serem obrigadas a trabalhar em condições de tremenda dor simplesmente pelo fato de que a doença não é entendida”, escreveu.

O ginecologista e obstetra Mario Martinez, conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), descreve a endometriose como o fenômeno em que o tecido interno do útero, chamado endométrio, fica fora da cavidade uterina. O crescimento desse tecido pode atingir regiões como o “ligamento uterossacro, septo reto-vaginal, pode caminhar em direção ao intestino e, às vezes, também pegar a parte anterior do útero, atingindo a bexiga”.

Dores fortes em cólica no período menstrual (dismenorreia), até mesmo com dores incapacitantes, são alguns dos sintomas mais comuns. Também são comuns dores nas relações sexuais (dispareunia). “Pode levar ainda a quadros de infertilidade feminina. A mulher não consegue engravidar porque, quando ela tem endometriose profunda no compartimento posterior do útero, leva a fatores peritoneais que provocam uma falha de implantação do embrião no endométrio”, acrescenta Martinez.

O médico defende que a doença seja sempre investigada quando relatos como este chegarem aos consultórios. “Se não for, você vai tratar como cólica menstrual, mas se ela relata cólica, na minha opinião, já merece uma investigação. Se você não pensar em endometriose, você não faz diagnóstico, uma vez que o ultrassom comum não pega”, explica. Segundo Martinez, isso ocorre porque a endometriose é uma lesão plana. Os exames para o diagnóstico são ultrassom transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética.

Uma parte do tratamento envolve o bloqueio hormonal dos ovários, fazendo com que a mulher pare de menstruar. “Quando você tira o fator de produção de hormônio da mulher, que seria estrogênio, com medicações antiestrogênicas, você acaba fazendo com que a endometriose diminua e, às vezes, até suma, em algumas situações”, aponta.

Se a doença estiver muito avançada, o tratamento é inicialmente cirúrgico e depois hormonal. “Você faz a cirurgia de retirada dos tecidos endometrióticos e depois promove um bloqueio para que não retorne. A doença pode se tornar crônica, então se você não bloqueia ela pode voltar.”

“Pesquisem, galera. A endometriose é muito comum entre as mulheres. Tem vários efeitos colaterais, em cada corpo de um jeito. Podem se estender até a bexiga e causar dores terríveis ao urinar. Existem vários tratamentos. O meu terá que ser cirurgia”, aconselhou Anitta no Twitter.

Foto Divulgação/Fipe

Fórum debate sobre endometriose no Ceará

O Núcleo de Endometriose e Cirurgia (NECi) realiza a primeira edição do Fórum de Inclusão para Pacientes com Endometriose (FiPe), no próximo dia 16 de julho (sábado), às 9h, no BS Design, em Fortaleza. A iniciativa também marca o aniversário de um ano do NECi Para Todas, programa que facilita o tratamento da endometriose a pacientes que não têm acesso à assistência médica suplementar e as acompanha de maneira sistemática, por intermédio de um grupo de apoio, cujo principal objetivo é disseminar informações.

Gratuito, o FiPe se destina a pacientes com diagnóstico de endometriose e mulheres com idade reprodutiva que podem ser acometidas pela doença. A programação reúne as sociedades civil e médica em torno do impacto da patologia na vida social das pacientes, colocando em evidência as possibilidades de tratamento e a importância de um diagnóstico preciso. O evento tem formato híbrido e, para ter acesso a ele, é necessário realizar a inscrição online, no link (https://bit.ly/inscrevasenofipe). As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 15 de julho.

“O FiPe é mais uma iniciativa da instituição, que tem no acesso à informação o caminho para que as mulheres lidem com a endometriose e se mantenham próximas dos profissionais de saúde especializados no diagnóstico e tratamento da doença”, afirma o médico Sidney Pearce, fundador do núcleo e idealizador do programa NECi Para Todas.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Somos Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Saúde

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

um − um =

Verifique também

Inscrições para Enem 2024 começam nesta segunda-feira, dia 27 de maio

A inscrição é feita através da Página do Participante do Enem, com CPF do estudante e senh…