A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) manifestou preocupação com propostas em discussão no Congresso que preveem o tabelamento da taxa de entrega em aplicativos de delivery. Para a entidade, a fixação de um valor mínimo obrigatório por entrega pode encarecer o serviço, reduzir a demanda e restringir o acesso de consumidores, especialmente das classes B e C.
O modelo de delivery no Brasil é baseado majoritariamente em pedidos de baixo valor e em entregas de curta distância. A imposição de uma taxa mínima nacional desconsideraria essa dinâmica e criaria um custo adicional que tende a ser repassado diretamente ao consumidor, tornando o pedido mais caro e diminuindo a frequência de compras.
O impacto também atingiria bares e restaurantes, que dependem do delivery para parte relevante do faturamento, além dos próprios entregadores, que poderiam enfrentar redução no número de pedidos disponíveis.
Para o presidente-executivo da entidade, Paulo Solmucci, o debate sobre a renda dos entregadores deveria avançar por outros caminhos, como modelos que valorizem o ganho por hora trabalhada e ampliem a previsibilidade de renda, em vez do tabelamento por entrega.
“Quando se fixa um valor mínimo por entrega, o efeito imediato é encarecer o serviço e espantar quem pede. Isso diminui o movimento dos restaurantes e reduz a renda total dos entregadores. O caminho mais inteligente é pensar em remuneração por hora, que garante dignidade ao trabalhador sem elitizar o delivery”, afirma.
Fragilidade no Setor
A preocupação ocorre em um momento de fragilidade financeira do setor. Um levantamento da Abrasel, realizado em fevereiro, aponta piora na situação econômica de bares e restaurantes no início do ano, com quase um quarto dos estabelecimentos operando no prejuízo e enfrentando dificuldades para recompor margens e lidar com custos crescentes.
Nesse cenário, a entidade avalia que medidas que elevem o preço final ao consumidor podem aprofundar a crise e reduzir a atividade no setor. Pesquisas recentes com clientes de delivery reforçam esta noção que o consumidor reage rapidamente ao aumento da taxa de entrega. Uma parcela expressiva afirma que pretende reduzir ou até deixar de pedir comida por aplicativos caso o delivery fique mais caro.

