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Raiva: saiba o que fazer em caso de agressões de animais mamíferos

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Depois de sofrer um acidente com um animal de rua, como mordidas ou arranhões, podem surgir dúvidas sobre o que fazer. Além de higienizar bem a lesão, os profissionais de saúde orientam que a pessoa procure atendimento médico o mais rápido possível.

A razão para essa preocupação é o risco de o animal estar infectado com raiva, doença infecciosa viral aguda com letalidade de quase 100%. O contágio acontece por meio de mordida, lambedura ou arranhadura de mamíferos. Além de cães e gatos, animais como cavalos, bois, morcegos e saguis também podem transmitir a doença.

Segundo o infectologista do Hospital São José (HSJ), Luis Arthur Brasil, procurar atendimento médico pode fazer toda a diferença e salvar vidas. “Após a limpeza do local, é recomendado buscar atendimento médico imediatamente em uma unidade de saúde para avaliação do risco de raiva e outras infecções”, destaca.

A higienização do local deve ser feita apenas com água e sabão. “A pessoa deve lavar imediatamente o ferimento por, pelo menos, 5 minutos. Deve-se evitar aplicar substâncias como álcool ou outras químicas agressivas que possam lesionar a pele”, explica.

Após procurar atendimento médico, o profissional de saúde avaliará a necessidade da vacina e do soro antirrábico. “O paciente poderá receber somente a vacina antirrábica em quatro doses ou o esquema vacinal antirrábico completo e o soro antirrábico, de acordo com o Ministério da Saúde”, disse.

O infectologista também orienta que não são todos os casos que precisam de soro antirrábico. “Caso o animal seja doméstico e saudável, ele deve ser observado por dez dias. O soro é indicado apenas se o animal sumir, fugir, adoecer ou morrer durante esse período. Em casos de ferimentos graves causados por cachorro e gato não passíveis de observação, está indicado o esquema antirrábico completo e soro ou imunoglobulina antirrábica. Se for um animal selvagem (morcegos, raposas, guaxinins, saguis, cachorro-do-mato, gato-do-mato, entre outros), o risco é mais alto, sendo necessário iniciar o esquema vacinal antirrábico completo e/ou o soro/imunoglobulina antirrábica para prevenir a raiva o mais rápido possível”, ressalta.

Vírus atinge o sistema nervoso central

Animais selvagens, como morcegos, raposas, guaxinins e saguis, podem transmitir a raiva, se infectados – Foto: Thamires Oliveira

O vírus da raiva age de maneira semelhante no corpo de humanos e animais, segundo o médico. “Após a infecção, o vírus se replica inicialmente nas células musculares próximas ao local da mordida e, em seguida, invade os nervos periféricos e usa o sistema nervoso para se deslocar até alcançar o sistema nervoso central. Nos animais, como cachorros e gatos, esse processo pode ser mais rápido, levando até dez dias até o óbito, enquanto nos humanos esse processo é mais lento”.

A letalidade da raiva se deve ao caminho que a doença faz no organismo. “Por ele se propagar diretamente pelos nervos até o sistema nervoso central, a sua detecção pelo sistema imunológico é dificultada, causando danos irreversíveis ao cérebro, destruindo neurônios e comprometendo funções vitais, como a respiração e a regulação da temperatura corporal. A única forma de evitar a doença é a prevenção por meio da vacinação e soro/imunoglobulina antirrábica”.

Vacinas estão disponíveis nos postos de saúde

O atendimento antirrábico humano é realizado nas Unidades Básicas de Saúde. Após a primeira avaliação, é indicado o tratamento.

A coordenadora de Imunização do Ceará, Ana Karine Borges, pontua que a profilaxia pós-exposição é segura. “Tanto o soro, quanto a vacina não têm contraindicação e, portanto, não se recomenda adiar o início do tratamento”.

A gestora ainda informa que o abastecimento destes imunobiológicos acontece mensalmente aos 184 municípios, mediante solicitação e notificação nos sistemas de informação oficiais. “A vacina é realizada logo na sala de vacina, enquanto o soro pode ser realizado em até 7 dias após o início da vacinação”.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

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