A restrição progressiva de alimentos ultraprocessados nas escolas públicas e privadas do Ceará tem impactado a rotina das instituições de ensino, dos profissionais e dos estudantes. Diante desse cenário, a Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição vinculada à Fundação Edson Queiroz, explica como a legislação influencia a alimentação de crianças e adolescentes, quais são os desafios que ainda precisam ser enfrentados e a importância da formação de profissionais para atender a essa nova demanda.
De acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), o excesso de peso entre adolescentes de 10 a 19 anos aumentou no Ceará entre 2014 e 2024. Nesse período, o percentual de jovens com sobrepeso passou de 23% para 35%, um crescimento de 12 pontos percentuais. É nesse contexto que as instituições de ensino deverão se adaptar à nova legislação, que prevê a restrição progressiva dos alimentos ultraprocessados até a proibição total desses produtos nas escolas em 2027.
Para a professora Soraia Pinto, do curso de Nutrição da Unifor, o período de transição exigirá uma rápida adequação das redes pública e privada de ensino. Nesse processo, segundo ela, a atuação do nutricionista será fundamental para orientar as mudanças e garantir o cumprimento da legislação.
A docente destaca que a demanda por esses profissionais deve crescer especialmente nas áreas de alimentação Coletiva, com foco na gestão de unidades de alimentação escolar, como cantinas e refeitórios; Saúde Coletiva, por meio do acompanhamento do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); e Consultoria em Nutrição. “Todas essas áreas apresentarão um pico de demanda inédito no Ceará”, afirma.
Nesse contexto, o papel do nutricionista torna-se ainda mais estratégico. Os desafios da implementação reforçam a importância desse profissional para além da responsabilidade técnica, contribuindo diretamente para a efetivação da lei. Para Soraia, esse também é um momento acompanhado de grandes oportunidades.
“As ações já desenvolvidas, como o planejamento de cardápios adequados, o controle de qualidade higiênico-sanitária, e a educação alimentar e nutricional ganham um cenário mais propício no sentido de encontrar alimentos in natura na própria escola, que reforçam as ações realizadas com alunos, professores e colaboradores. É o caso de oficinas de alimentação, criação de hortas escolares, treinamento contínuo de manipuladores de alimentos (merendeiras) sobre boas práticas de manipulação, higiene e preparo, principalmente de alimentos que apresentam maior perecibilidade”, comenta.

