O Instituto Serrapilheira anunciou o resultado da 7ª chamada pública de apoio à ciência. Ao todo, foram selecionados 20 pesquisadores. A iniciativa é direcionada a cientistas em início de carreira com projetos ousados e arriscados nas áreas de ciências naturais (ciências da vida, física, geociências e química), matemática e ciência da computação.
Cada selecionado receberá ao todo entre R$ 200 mil a R$ 700 mil, a serem usados ao longo de cinco anos. Eles também terão acesso a um bônus de diversidade, no valor de R$ 150 mil, recurso extra para investir na formação e inclusão de pessoas de grupos sub-representados em suas equipes.
Os projetos selecionados pela chamada são diversos: vão desde investigar se existe transmissão cultural de dialetos vocais em primatas além dos humanos até construir modelos estatísticos para melhor estimar a incidência de doenças infecciosas ao longo do tempo em regiões com populações pequenas e má qualidade dos dados.
Entre os 20 pesquisadores selecionados na 7ª chamada pública está o pesquisador, Prof. Arthur Prudêncio de Araújo Pereira, que faz parte do Departamento de Ciências do Solo da Universidade Federal do Ceará (UFC).
O tema escolhido pelo o pesquisador é “as crostas biológicas do solo podem ser uma estratégia baseada na natureza para restaurar as terras secas brasileiras afetadas pela desertificação?”. De acordo com Arthur, receber o apoio do Instituto Serrapilheira é motivo de grande orgulho, dada a sua grande relevância para a ciência brasileira.
“Além de apoiar uma temática sensível, que é a desertificação, o apoio do Serrapilheira será fundamental para elevar o nível da pesquisa e a formação de recursos humanos no âmbito do Departamento de Ciências do Solo e do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo, dos quais faço parte” disse o pesquisador.
Artur destaca que um dos principais motivos para esse tema é especialmente o bioma Caatinga, por ser escasso e um dos principais desafios para jovens cientistas em início de carreira.
“As primeiras ações do projeto serão entender quais são os principais grupos de micro-organismos associados a essas crostas em regiões extremamente degradadas (em desertificação) da Caatinga. Este passo será realizado por meio de avaliações clássicas (cultivo in vitro) e também por meio de tecnologias modernas de sequenciamento genético”, disse o pesquisador.
Os projetos escolhidos abrangem desde estudos sobre transmissão cultural de dialetos vocais em primatas até modelos estatísticos para estimar incidências de doenças em regiões com dados limitados.
Cristina Caldas, diretora de Ciência do Serrapilheira, ressaltou sobre o processo de seleção dos candidatos, a grande excelência dos jovens cientistas brasileiros e a importância de ampliar os recursos disponíveis para garantir apoio contínuo à pesquisa de alto impacto.
A diretora ressalta que o diferencial do projeto é o apoio com o recurso que varia de R$ 200 mil a R$ 700 mil para serem distribuídos ao longo de cinco anos, além disso, os pesquisadores ganham um bônus de diversidade no valor de R$ 150 mil para que seja contratado ou formarem grupos de pesquisa para ciência.
“O nosso processo de seleção leva em consideração tanto a trajetória da pessoa, quanto o que ela já contribuiu até agora para a ciência, mas também precisamos que seja um projeto ousado e arriscado com forte base de ciência, e que esteja apresentando uma ideia ousada e original, vale destacar que os pesquisadores selecionados estão com projetos grandiosos e de grande impacto”, destacou Cristina.
O projeto tem colaboração com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e 11 Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs).

