Home Saúde Não é só estresse: por que as mulheres passam a dormir pior depois dos 40

Não é só estresse: por que as mulheres passam a dormir pior depois dos 40

9 min read
0
0
23

Se você tem dormido pior depois dos 40 anos, o problema pode ir muito além do estresse. Segundo a médica nutróloga Dra. Mariana Wogel, a insônia nessa fase da vida costuma estar associada a mudanças hormonais, metabólicas e nutricionais que afetam diretamente o cérebro, o sistema nervoso e o sono.

A especialista explica que, em muitas mulheres, a queda do estrogênio é um dos principais fatores envolvidos. O hormônio participa da regulação de neurotransmissores importantes para o sono, como serotonina, melatonina e GABA. Quando seus níveis diminuem, o descanso tende a ficar mais leve, fragmentado e menos reparador.

“O sono da mulher depois dos 40 raramente piora por uma única causa. Na maioria das vezes, há uma combinação de fatores hormonais, metabólicos e nutricionais interferindo na qualidade do descanso”, afirma a Dra. Mariana Wogel.

Hormônios e sono

Além do estrogênio, a redução da progesterona também pode influenciar diretamente a insônia. A médica explica que esse hormônio tem efeito calmante sobre o sistema nervoso e contribui para a sensação de relaxamento necessária para manter o sono contínuo. Quando seus níveis caem, o cérebro pode ficar mais ativo à noite, dificultando o adormecer e favorecendo despertares frequentes.

Outro ponto importante é o comportamento do cortisol, hormônio relacionado ao estado de alerta. Em condições normais, ele sobe gradualmente nas primeiras horas da manhã para ajudar o corpo a despertar. No entanto, em algumas mulheres nessa fase da vida, esse ritmo pode ficar desregulado, com ativação precoce ou excessiva, o que favorece despertares noturnos e sensação de sono não reparador.

A médica destaca que essa combinação hormonal ajuda a explicar por que muitas mulheres relatam passar a noite em “sono picado”, com interrupções frequentes, dificuldade para voltar a dormir e sensação de cansaço ao acordar.

Glicose e despertares

Segundo a nutróloga, oscilações da glicose durante a madrugada também podem interferir no sono. Quando os níveis de açúcar no sangue caem ou variam de forma inadequada, o organismo pode responder com liberação de adrenalina e cortisol, hormônios que aumentam o estado de vigilância e tiram o corpo do sono profundo.

Esse mecanismo, muitas vezes silencioso, pode fazer com que a mulher acorde sem entender exatamente o motivo. Em alguns casos, há despertares no meio da noite acompanhados de ansiedade, coração acelerado ou dificuldade para retomar o descanso.

Ondas de calor e fragmentação

As ondas de calor, mesmo quando são discretas, também podem fragmentar o sono feminino. A mulher nem sempre percebe claramente esse sintoma, mas a alternância térmica é suficiente para interromper o descanso profundo e reduzir a sensação de recuperação ao longo da noite.

De acordo com a especialista, isso torna a insônia depois dos 40 um quadro multifatorial, que não deve ser tratado apenas como consequência de rotina corrida, preocupação excessiva ou mau hábito de sono. Para ela, o olhar clínico precisa considerar o momento hormonal da paciente e o impacto dessas mudanças sobre todo o organismo.

Nutrientes que influenciam

A médica também chama atenção para o papel da nutrição. Deficiências de magnésio, ferro, vitamina D e vitaminas do complexo B podem piorar a instabilidade do sistema nervoso e intensificar sintomas como irritabilidade, cansaço, ansiedade e dificuldade para dormir.

Na avaliação da nutróloga, esses nutrientes são importantes porque participam de processos ligados à produção de energia, equilíbrio neuromuscular e funcionamento cerebral. Quando estão em níveis inadequados, o corpo pode ficar mais vulnerável às alterações hormonais típicas dessa fase da vida.

Acompanhamento é fundamental

Para a Dra. Mariana Wogel, a mulher que passa a dormir mal depois dos 40 precisa de avaliação individualizada, porque a insônia nessa etapa costuma ser multifatorial. Em vez de apenas controlar o sintoma, o ideal é investigar o que está por trás do problema e atuar de forma preventiva.

“Não se trata só de dormir melhor. A qualidade do sono interfere na saúde metabólica, na composição corporal, na disposição, na memória e na qualidade de vida. Por isso, entender a causa é essencial”, destaca.

A especialista ressalta que o cuidado adequado pode ajudar não apenas o sono, mas também o equilíbrio hormonal, o metabolismo e a saúde geral da mulher ao longo do climatério e da menopausa.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Saúde
Comentários estão fechados.

Verifique também

Prefeitura de Fortaleza lança CITInclusiva com ações de inovação para políticas públicas municipais

A Prefeitura de Fortaleza, por meio da Fundação de Ciência, Tecnologia e Inovação de Forta…