Home Saúde Mulheres que convivem com HIV podem ter gestação segura e sem riscos de transmissão para o bebê

Mulheres que convivem com HIV podem ter gestação segura e sem riscos de transmissão para o bebê

7 min read
0
0
1,277

Mesmo com os estigmas ainda associados ao HIV, a ciência comprova que, com o tratamento adequado, é possível conviver com o vírus com qualidade de vida — e até impedir sua transmissão. Um exemplo disso é a história de uma cearense que descobriu ser portadora do HIV durante a gravidez e, com acompanhamento médico, teve um bebê completamente saudável e livre da infecção.

A mulher, que preferiu não se identificar, contou que recebeu o diagnóstico aos 36 anos, durante o pré-natal. Imediatamente, ela foi encaminhada ao Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), referência no tratamento de HIV no estado, onde iniciou o tratamento com antirretrovirais.

“Foi um momento muito difícil para mim e para minha família, sobre a situação e a aceitação de que era possível, sim, continuar a viver convivendo com esse vírus enquanto gerava uma nova vida”, comenta.

Graças à adesão ao tratamento, ela manteve a carga viral indetectável durante toda a gestação — ou seja, a quantidade de vírus no sangue ficou tão baixa que não pode ser detectada nos exames. Isso reduz drasticamente o risco de transmissão para o bebê.

O filho nasceu sem o vírus. E mesmo com a carga viral indetectável, a mãe seguiu as recomendações médicas e não o amamentou, já que o HIV pode ser transmitido pelo leite materno.

“Fiquei triste porque achava que o neném ia ficar triste também por não ser amamentado. Mas percebi que podia dedicar todo o amor e carinho ao bebê, que ele era muito amado por mim, pelos meus irmãos e pela minha mãe, que me acompanha em tudo. Hoje, meu filho já tem três anos, está lindo, saudável e muito amado, graças a Deus”, relata.

Gestação segura

A infectologista pediatra, Gláucia Ferreira, ressalta os cuidados para gestantes que vivem com HIV – Foto:  Thiago Freitas/Ascom HSJ

A médica infectologista pediatra do HSJ, Gláucia Ferreira, explica que é perfeitamente possível que bebês de mães com HIV nasçam sem o vírus, principalmente se a infecção for descoberta antes da gravidez ou ainda no pré-natal.

“Quando a mãe inicia o tratamento na primeira metade da gestação, mantém uma boa adesão ao tratamento antirretroviral e tem carga viral não detectável com 28 semanas, o risco de transmissão para a criança é considerado muito baixo”, afirma.

O momento da gestação onde há mais incidência da transmissão vertical é durante o parto. “Aproximadamente 65% dos casos, ou seja, dois terços, da transmissão do HIV da mãe para o filho acontece no momento do parto”. Porém, com os cuidados indicados, esse índice fica quase nulo.

De acordo com a médica, após o parto, a criança deve iniciar medicamentos antirretrovirais, de preferência em até 4 horas de vida, e fazer exames para detectar o vírus. Ela precisa tomar uma ou três medicações por 28 dias, dependendo do risco de transmissão intrauterina.

“Os exames seguem o protocolo: carga viral ao nascimento, com 2 semanas de vida, e com 2 e 8 semanas após a suspensão da profilaxia. Se os exames após a suspensão forem não detectados, a criança segue em acompanhamento até o teste anti-HIV, com 1 ano. Se o anti-HIV for não reagente, descarta-se a infecção”, destaca.

Gláucia finaliza ainda com um alerta para pessoas que não tiveram contato com o HIV antes da gestação e estão amamentando, já que é possível se infectar por meio de relações sexuais não protegidas. “Essas mães precisam usar preservativos durantes as relações sexuais após o parto para não correrem o risco de se infectar com o HIV durante a amamentação e passar o vírus para o filho”, recomenda.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Saúde
Comentários estão fechados.

Verifique também

Copa do Brasil: Ceará perde para o Atlético-MG por 2 a 1 na partida de ida da 5ª fase

Na noite desta quinta-feira (23), o Ceará perdeu para o Atlético-MG por 2 a 1 na partida d…