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Mês de Combate ao Fumo: boca pode revelar os primeiros sinais dos danos causados pelo cigarro, alerta especialista

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O mês de agosto é marcado por ações de conscientização sobre os impactos do tabagismo na saúde. A campanha ganha ainda mais destaque com o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado neste 29 de agosto, e chega em um momento de atenção: após anos de queda, o número de fumantes voltou a crescer no Brasil.

Dados mais recentes do Ministério da Saúde, por meio da pesquisa Vigitel, mostram que 11,6% da população adulta brasileira fuma cigarros convencionais. O hábito é mais frequente entre os homens e concentra-se principalmente na faixa etária de 45 a 64 anos.

Embora Fortaleza apresenta um dos menores índices de tabagismo entre as capitais brasileiras, com 7,3% da população adulta fumante, o cenário exige atenção. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) revelou que o Ceará foi o único estado brasileiro onde houve aumento do consumo de cigarros entre estudantes, na contramão da tendência observada no restante do país. O dado reforça a necessidade de ampliar as ações de prevenção e conscientização, especialmente entre adolescentes e jovens.

Para o cirurgião-dentista Dr. Davi Cunha, esse cenário também acende um alerta para um aspecto que costuma ser negligenciado: os impactos do tabagismo na saúde bucal.

“Muitas pessoas associam o cigarro apenas às doenças respiratórias e cardiovasculares, mas esquecem que a boca é uma das primeiras regiões do corpo a sofrer os efeitos do tabaco. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem durante um exame odontológico de rotina”, explica.

Segundo o especialista, a exposição contínua da cavidade oral à fumaça e às substâncias químicas presentes no cigarro favorece uma série de alterações que podem comprometer significativamente a qualidade de vida.

“O tabagismo reduz a circulação sanguínea na gengiva, dificulta a cicatrização, favorece doenças periodontais, aumenta o risco de perda dentária e eleva de forma significativa as chances de desenvolvimento do câncer de boca. Muitas dessas alterações evoluem silenciosamente e só são percebidas quando já estão em estágios mais avançados.”

De acordo com o Dr. Davi Cunha, alguns sinais não devem ser ignorados. “Feridas que não cicatrizam por mais de quinze dias, manchas brancas ou avermelhadas na mucosa, sangramentos frequentes, alterações na língua, mobilidade dos dentes e dificuldades para mastigar ou engolir merecem avaliação profissional. O diagnóstico precoce é um dos principais aliados para aumentar as chances de sucesso no tratamento, especialmente nos casos de câncer de boca.”

Outro ponto de preocupação é o avanço dos dispositivos eletrônicos para fumar, principalmente entre adolescentes e jovens adultos.

“Existe uma falsa percepção de que o cigarro eletrônico oferece menos riscos. Apesar de possuir características diferentes do cigarro convencional, ele também contém nicotina e outras substâncias capazes de provocar inflamações, ressecamento da mucosa, alterações na microbiota bucal e dependência química. Não existe forma segura de consumir produtos derivados do tabaco ou da nicotina.”

Além da interrupção do tabagismo, o especialista destaca que as consultas odontológicas periódicas desempenham um papel fundamental na prevenção.

“O dentista não avalia apenas dentes e gengivas. Durante a consulta, toda a cavidade oral é examinada, permitindo identificar alterações ainda em fase inicial. Quanto mais cedo uma lesão é descoberta, maiores são as chances de tratamento e de recuperação.”

No Mês de Combate ao Fumo, o Dr. Davi Cunha reforça que abandonar o cigarro continua sendo a medida mais eficaz para preservar a saúde.

“Os benefícios começam logo após a interrupção do tabagismo. À saúde bucal melhora, o organismo inicia um processo de recuperação e o risco de diversas doenças diminui ao longo do tempo. Nunca é tarde para parar de fumar e procurar acompanhamento profissional”, conclui.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

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