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Lula distribuirá ministérios para influenciar votos para presidentes da Câmara e Senado

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja distribuir ministérios a parlamentares do Centrão para influenciar na escolha dos próximos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Os nomes escolhidos para comandar as duas Casas serão decisivos para garantir a sustentação política e a governabilidade do quarto mandato do petista.

A estratégia passa pelo apoio à recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ao comando das duas Casas. Ambos terão peso nas negociações para a formação da nova equipe, que poderá incluir representantes de partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, mas mantiveram setores próximos ao governo.

No terceiro mandato, Lula entregou ministérios ao PP, União Brasil, MDB, PSD e Republicanos em busca de governabilidade, mas enfrentou dificuldades na relação com o Congresso. Agora, com a oposição fortalecida nas urnas, precisará ampliar sua base parlamentar e fazer ainda mais concessões para evitar derrotas no Legislativo. A negociação deverá envolver principalmente alas do MDB e do PSD, além de lideranças nordestinas do Republicanos, PP e União Brasil que permaneceram próximas ao presidente durante a campanha.

A montagem da Esplanada também terá de contemplar aliados derrotados nas eleições. Fernando Haddad (PT), Gleisi Hoffmann (PT), Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), João Campos (PSB) e Eduardo Paes (PSD) estão entre os nomes que ficaram sem mandato após as disputas estaduais. A acomodação dessas lideranças será uma das dificuldades de Lula, que precisará dividir os cargos entre integrantes de sua confiança e representantes de partidos necessários à formação da maioria no Congresso.

Herdeiros da sucessão

Além de recompor a base governista, a escolha dos ministros abrirá uma disputa dentro do próprio campo político pela sucessão presidencial de 2030. Sem possibilidade de concorrer novamente à reeleição, Lula terá de preparar um herdeiro político. Entre os nomes apontados estão Fernando Haddad, Camilo Santana, Rafael Fonteles, Rui Costa, Geraldo Alckmin, João Campos e Guilherme Boulos.

A corrida envolve lideranças de diferentes gerações e partidos, todas interessadas em ampliar sua influência nacional. Haddad, que chegou a ser considerado favorito para assumir a Casa Civil, perdeu força após a derrota para Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo de São Paulo. Apesar do revés, continua entre os aliados mais próximos de Lula e poderá receber um ministério de destaque, como Justiça ou Educação.

Sua permanência no primeiro escalão seria uma oportunidade de recuperar espaço político e manter viva a possibilidade de disputar a Presidência em 2030. O cearense Camilo Santana (PT), ex-ministro da Educação e um dos principais articuladores da campanha de Lula no segundo turno, ganhou força e é apontado como possível nome para a Casa Civil. No entanto, pesam contra ele as citações no escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Outro nome em ascensão é o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), cotado para assumir o Ministério da Fazenda. Aos 41 anos, Fonteles ganhou projeção pela atuação na campanha presidencial e pela experiência na administração das contas públicas estaduais. Fonteles, porém, nega deixar seu mandato estadual, para o qual foi reeleito, e se mudar para Brasília.

Entre aliados, há também o receio de que o desgaste de comandar a economia nacional prejudique uma possível candidatura presidencial em 2030. A lista de possíveis sucessores inclui ainda o senador eleito Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que poderá assumir uma função de maior peso na área econômica. Fora do núcleo petista, João Campos e Guilherme Boulos também buscam espaço na reorganização do governo.

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