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LER/DORT representam 42% dos afastamentos por doenças ocupacionais no Brasil

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Um alerta para a “epidemia silenciosa” que assola o mercado de trabalho brasileiro, à LER/DORT — Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho.

Em 2025, essas lesões representaram 42% dos afastamentos por doenças ocupacionais, com mais de 623 mil trabalhadores afastados pelo INSS, segundo dados da Previdência Social. Dores nas costas foi o item que liderou isoladamente, com 237.113 concessões de benefícios por incapacidade temporária, um salto de 15% em relação a 2024, contribuindo para os 4,12 milhões de afastamentos gerais por motivos de saúde.

Os setores de indústria, serviços e tecnologia concentram os maiores índices, onde movimentos repetitivos, posturas inadequadas e sobrecargas ergonômicas inflamam tendões, nervos e músculos. Especialistas em ortopedia destacam que cerca de 15 milhões de brasileiros padecem com LER/DORT, um aumento de 20% nos últimos cinco anos conforme o Ministério da Saúde/DATASUS, afetando 52,6% dos trabalhadores registrados e 21,8% dos autônomos. No Ceará, indústrias metal-mecânicas e construção civil amplificam o problema, com subnotificação de até 40%.

Pausas e ajustes

“LER/DORT não é só dor passageira; é uma bomba-relógio que evolui para cirurgias e incapacidades permanentes, caso seja ignorada. Precisamos de ergonomia obrigatória nas empresas, como pausas periódicas e ajustes posturais”, alerta o presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Ceará (SBOT-CE), Dr. Rafael Leitão.

Em todos os casos, é muito importante o diagnóstico precoce, via eletromiografia e exames físicos como o teste de Phalen, seguido de tratamento multidisciplinar com fisioterapia, infiltrações e, em casos refratários, cirurgias como liberação do túnel do carpo — com sucesso acima de 80% em fases iniciais. No entanto, a prevenção segue negligenciada: normas da CIPA e Portaria 3.214/1978 exigem treinamentos, mas a adesão é baixa.

Orientações

Para o público em geral, o ortopedista Dr. Rafael Leitão recomenda medidas simples e acessíveis de prevenção. “A cada 20 minutos de trabalho repetitivo, pause por 20 segundos, alongando punhos e ombros. Invista em mouse vertical e teclado ergonômico, mantendo o punho neutro — na altura da mesa, entre 75 e 80 centímetros —, e evite celular por mais de 30 minutos seguidos sem suporte”, orienta.

Além disso, é importante fortalecer a musculatura com exercícios diários e alongamentos de pescoço, combinados a pausas ativas a cada hora. “Hidrate-se e durma bem, e gerencie o estresse com caminhadas. Se sentir formigamento ou dor persistente, consulte um ortopedista imediatamente para evitar cirurgias”, complementa o presidente da SBOT-CE.

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