Um fóssil de 120 milhões de anos, originário de araucária, atual Cariri cearense, recebeu o nome científico Araucaria benignae, em homenagem à Menina Benigna, mártir cearense beatificada pela Igreja Católica em 2022.
Preservado na Bacia do Araripe, o fóssil foi localizado em uma unidade geológica próxima aos municípios de Nova Olinda, Santana do Cariri e Crato. O exemplar fazia parte de uma coleção de fósseis que foi repatriada da França em 2024.
A identificação da espécie foi resultado de uma investigação paleobotânica que envolveu instituições brasileiras e alemãs. Participaram do estudo pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (URCA), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Museu de História Natural de Chemnitz, na Alemanha.
Durante o período Cretáceo, entre aproximadamente 145 milhões e 65 milhões de anos atrás, diferentes espécies de araucárias ocupavam a região. A descrição de Araucaria benignae amplia o registro científico sobre a diversidade dessas plantas no território que atualmente corresponde ao Cariri.
Segundo pesquisadores da Urca, a espécie pertence à família Araucariaceae, a mesma do pinheiro-do-paraná. Atualmente, representantes dessa família ocorrem naturalmente em algumas regiões do Sul e do Sudeste do Brasil.
Durante o Cretáceo, porém, há aproximadamente 120 milhões de anos, as araucárias tinham distribuição muito mais ampla e faziam parte da vegetação que existia na região que hoje corresponde ao Nordeste brasileiro.
Uma cerimônia para apresentar os fósseis repatriados está prevista para sexta-feira (25), às 10h, no Geopark Araripe, no Crato. A programação deverá incluir também a apresentação do fóssil que recebeu o nome em homenagem à Menina Benigna.

