Home Agenda Fortaleza recebe o espetáculo “Sagração”, de Deborah Colker, no Cineteatro São Luiz

Fortaleza recebe o espetáculo “Sagração”, de Deborah Colker, no Cineteatro São Luiz

10 min read
0
0
1,310

Fortaleza se prepara para receber o espetáculo “Sagração”, da Companhia de Dança Deborah Colker. Após encantar plateias em diferentes palcos do Brasil, o espetáculo terá duas apresentações no Cineteatro São Luiz nos dias 18 e 19 de outubro.

Na versão dirigida por Deborah Colker, a música clássica de Stravinsky encontra ritmos brasileiros no espetáculo inspirado por visões ancestrais sobre a origem do mundo. “Sagração” estreou no dia 21 de março de 2024 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Fundada em 1994, a Companhia realizou mais de duas mil apresentações em mais de 100 cidades de 35 países, totalizando um público de cerca de 4 milhões de pessoas em todas as suas performances.

“Durante esses anos, assistimos e participamos de muitas transformações na cultura, na política e na economia. Chegamos até aqui porque temos este espírito de evolução, que é um tema muito precioso para o novo espetáculo”, avalia o diretor executivo João Elias, que fundou a companhia de dança com Deborah Colker.

O processo criativo de “Sagração” durou dois anos e meio. O espetáculo é uma livre adaptação de “A Sagração da Primavera”, obra composta pelo russo Igor Stravinsky, que ganhou projeção mundial pela montagem estreada em Paris em 1913, com coreografia de Vaslav Nijinsky e produção de Sergei Diaghilev para os Ballets Russes.

A composição musical é considerada revolucionária por introduzir estruturas rítmicas e harmônicas nunca antes utilizadas em partituras.

“Quando decidi recontar esse clássico, pensei que teria de ser a partir da cosmovisão de povos originários do Brasil”, lembra Deborah, que também é pianista. “Stravinsky foi responsável por pontos de ruptura e provocação entre o erudito e o primitivo. ‘A Sagração da Primavera’ representa esses pontos de evolução da humanidade”.

Foto: Flávio Colker

Foi em uma viagem para o Xingu, durante o Kuarup, e no encontro com as aldeias indígenas Kalapalo e Kuikuro, que Deborah conheceu Takumã Kuikuro. O cineasta contou à ela como o povo do chão recebeu o fogo do Urubu Rei. Essa história é dançada e acompanhada por narração do próprio Takumã e faz parte da coleção de cosmogonias que a diretora reuniu para montar a dramaturgia do espetáculo.

“Tudo só poderia ter começado com uma mulher. Uma avó. A avó do mundo”, conclui Deborah, que, com a assessoria de Nilton Bonder, revisitou a mitologia judaico-cristã. Do livro “Gênesis”, as passagens sobre Eva e a serpente e também Abraão ganham cenas que destacam momentos de ruptura. “São dois mitos que elaboram sobre a consciência humana: pela autonomia de uma mulher que desperta para caminhos interditados e transgride; e de um homem que sai da sua casa e cultura em direção a si mesmo”, destaca Nilton Bonder. Além das alegorias bíblicas, a coreógrafa também buscou referências na literatura científica.

“A versão mais recente da nossa espécie é a Homo sapiens sapiens que, assim como outros seres, precisa se adaptar constantemente”, pontua Deborah, destacando a presença das personagens que representam bactérias, herbívoros e quadrúpedes no espetáculo. “Nossa dramaturgia é feita da poesia presente em mitos e teorias que pensam a existência da vida em nosso planeta”.

A coreógrafa, em parceria com o diretor musical Alexandre Elias, introduziu à partitura instrumental
de Stravinsky a sonoridade pujante das florestas e ritmos brasileiros.

Boi bumbá, coco, afoxé e samba foram introduzidos à criação de Stravinsky. Aos acordes de instrumentos de orquestra, o diretor musical adicionou flauta de madeira, maracá, caxixi e tambores. Os paus de chuva também entram em cena no arranjo executado ao vivo pelos bailarinos. Para dar vida às narrativas e trajetórias do espetáculo, o cenógrafo Gringo Cardia incorpora 170 bambus de 4 metros de altura que simbolizam resistência e flexibilidade.

Foto: Flávio Colker

Serviço:

Espetáculo “Sagração”, de Deborah Colker

Local: Cineteatro São Luiz – R. Major Facundo, 500 – Centro

Datas: Dias 18 e 19 de outubro.

Horários: Sábado, 19h, e Domingo, 18h

Valores: de R$ 25,00 a R$ 200,00.

Classificação indicativa: 10 anos

Desconto Petrobras: 50% para a força de trabalho mediante apresentação do crachá funcional para a compra de até 2 ingressos.

Desconto Instituto Cultural Vale: 50% para a força de trabalho mediante apresentação do crachá funcional para a compra de até 2 ingressos.

Acessibilidade para deficientes visuais: Audiodescrição em todas sessões.

Atenção: O espetáculo contém luzes intensas e efeitos que podem afetar pessoas com epilepsia ou
sensibilidade à luz.

Observação:

Ocupação dos assentos com lugar marcado.

Tem direito ao benefício da meia-entrada: estudantes, idosos (pessoas com mais de 60 anos), crianças entre 03 e 12 anos, pessoas com deficiência e seu acompanhante, professores da Rede Pública de Ensino de Fortaleza, jovens pertencentes a famílias de baixa renda com idade entre 15 e 29 anos e doadores regulares de sangue. Em todos os casos é necessária a apresentação do(s) documento(s) comprobatório(s) e do documento de identificação com foto.

Funcionamento da bilheteria física do Cineteatro São Luiz: de terça a sexta, das 9h30 às 18h, e, aos sábados, das 9h30 às 17h. Aos domingos, 2h antes do evento até o horário de início da atração.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Agenda
Comentários estão fechados.

Verifique também

Bell Marques volta a Fortaleza com a Corrida 100% Você

Fortaleza recebe no dia 25 de março mais uma edição da Corrida 100% Você, evento idealizad…