O filme cearense “Feito Pipa” foi premiado em concursos internacionais no último sábado (25), na 41ª edição do Festival de Guadalajara, no México, de onde saiu com os prêmios de Melhor Filme e Melhor Interpretação para Teca Pereira e Yuri Gomes.
O júri justificou o prêmio com a seguinte declaração: “Este filme nos mostra a magia, a inocência e o amor por meio de seus personagens. O longa constrói uma história universal a partir do ponto de vista de um personagem, complementada pelo design de produção, pelas atuações e pela cinematografia. E, especialmente, nos convida a trabalhar e a construir em espaços seguros para as identidades quer e para as pessoas que amamos.”
A produção é dirigida pelo cearense Allan Deberton foi destaque na seção Maguey que reúne longas-metragens de ficção e documentários que abordam temas queer relacionados à comunidade LGBTQ+.
E a programação não para por aí. Nesta segunda-feira (27), “Feito Pipa” irá abrir o 26º FICPV – Festival Internacional de Cine en Puerto Vallarta, no México.
Prêmios
As estatuetas conquistadas por “Feito Pipa” no México se somam a outros prêmios que o longa já conquistou na campanha de divulgação.
No Festival de Berlim, a produção foi reconhecida com o Crystal Bear de Melhor Filme e também com o Grande Prêmio do Júri Internacional na categoria Generation Kplus, voltada a obras que exploram o universo infantojuvenil.
Considerada uma das seções paralelas mais prestigiadas do festival, a Generation destacou o longa brasileiro pela força de sua narrativa e sensibilidade.
Eles também elogiaram as atuações do elenco, em especial Yuri Gomes e Teca Pereira, e ressaltaram a construção do personagem principal.
Sobre o que fala “Feito Pipa”
O filme acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino que sonha em se tornar jogador de futebol e vive com a avó Dilma (Teca Pereira), que o cria de forma livre e afetuosa. Quando a saúde da idosa se fragiliza, ele tenta esconder a situação para evitar ser separado dela e precisar ir morar com o pai, interpretado por Lázaro Ramos.
Rodado em Quixadá, no interior do Ceará, o longa constrói uma narrativa sensível sobre amadurecimento, pertencimento e afeto.
De acordo com o diretor, Deberton, em entrevista à Variety, a escolha do protagonista foi o maior desafio do projeto. Foram testadas mais de 600 crianças até chegarem ao estreante Yuri Gomes.
O roteiro, assinado por Deberton e André Araújo, nasceu de memórias pessoais da infância de ambos em Russas, no Ceará. O diretor revelou que tanto ele quanto o roteirista foram crianças que se sentiam “fora do lugar” e que foram criadas, em grande parte, pelas avós.

