A produção de feijão verde no Ceará tem sido impulsionada pela quadra chuvosa, aumentando a oferta do produto e provocando queda nos preços em diversos pontos de comercialização. O cenário tem aquecido a economia e beneficiado consumidores e comerciantes, especialmente na Ceasa de Maracanaú, um dos principais polos de distribuição do estado.
Com bancas cheias e grande circulação de compradores, o produto chega fresco diretamente do campo, intensificando o ritmo de trabalho. A expectativa é que cerca de 400 toneladas de feijão verde sejam comercializadas apenas no mês de abril na central.
Produção cresce com chuvas e amplia oferta no mercado
O aumento da produção está diretamente ligado às chuvas registradas no Ceará, que favorecem o cultivo em diversas regiões produtoras. Municípios como Aracoiaba, Baturité, Maranguape, Russas, Limoeiro do Norte, Quixadá e Quixeramobim estão entre os principais fornecedores da leguminosa.
Segundo o analista de mercado Odálio Girão, a entrada do produto dessas regiões impacta diretamente os preços. “Já está ingressando o feijão verde do sertão. Com o aumento dessa oferta, o preço vai despencar”, afirmou.
Preço do feijão verde cai e pode chegar a R$ 7
Com a maior disponibilidade, os preços têm recuado rapidamente. Antes da Semana Santa, o quilo do feijão verde chegou a custar cerca de R$ 40 no varejo. Atualmente, na Ceasa, os valores variam entre R$ 10 e R$ 14, com tendência de queda nas próximas semanas.
De acordo com Odálio Girão, o preço pode cair ainda mais. “Nas próximas semanas, esse feijão deve ser vendido em torno de R$ 8 até R$ 7. A produção é muito forte”, destacou.
Comércio e renda informal ganham impulso
A queda nos preços tem incentivado não apenas o consumo, mas também a revenda informal, ampliando oportunidades de renda.
A trabalhadora autônoma Fran Gláucia relata que aproveita o período para aumentar os ganhos. “Eu vendo na rua, monto meu carrinho e saio vendendo. Também aparecem clientes novos que veem a movimentação e vêm comprar com a gente”, afirmou.
Na Ceasa, comerciantes também registram aumento nas vendas. Maria de Jesus Sousa, que atua há 10 anos no local, destaca o período como o mais forte do ano.“Esse é o período certo. Todo mundo vem pra Ceasa comprar, porque agora tá de graça o feijão verde”, disse.
Produto mantém tradição na culinária cearense
Além do impacto econômico, o feijão verde segue como um dos alimentos mais presentes na culinária regional cearense. O tipo mais consumido é o “Massacar”, bastante utilizado em receitas tradicionais.
A chef Karina Ximenes ressalta o valor afetivo do ingrediente. “Essa receita é da minha família. Minha mãe fazia quando a gente era criança, especialmente na época da Páscoa”, contou.
Entre os preparos, o feijão verde pode ser combinado com azeite, pimentões, creme de leite, queijo coalho e até carne de sol, reforçando o sabor e a tradição nordestina.
Do campo à mesa, o feijão verde segue como um dos principais produtos da agricultura cearense, garantindo renda, movimentando o comércio e mantendo viva uma importante tradição alimentar no estado.

