O calçado brasileiro está perdendo terreno — dentro e fora de casa. Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 62,45 milhões de pares, que renderam US$ 541,45 milhões. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a retração foi de 7,5% em volume e 16,8% em receita. É o pior resultado para o período desde 2020, ano marcado pelo impacto da pandemia de Covid-19.
O dado mais preocupante, porém, não está apenas na queda das exportações. Enquanto os embarques brasileiros recuam, as importações de calçados avançam no mercado doméstico — puxadas principalmente por fornecedores asiáticos.
Entre janeiro e agosto, entraram no país 33 milhões de pares, alta de 9,6% sobre o mesmo período do ano anterior. Em valor, as compras externas cresceram 11%, alcançando US$ 429,7 milhões. Em outras palavras: o Brasil está exportando menos e importando mais.
É uma combinação que acende um sinal de alerta para uma indústria que depende tanto da conquista de mercados internacionais quanto da capacidade de competir dentro do próprio país.
Ceará
O segundo colocado entre os estados exportadores foi o Ceará, que em agosto embarcou 1,8 milhão de pares por US$ 12,55 milhões, queda de 1,9% em volume e incremento de 24,8% em receita em relação ao período correspondente ao ano passado.
No acumulado do ano, as exportações cearenses somaram 17,52 milhões de pares e US$ 97,3 milhões, quedas de 17,8% e 23,8%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025.
No terceiro posto entre os exportadores brasileiros aparece São Paulo. Em agosto, partiram das fábricas paulistas 433 mil pares, que geraram US$ 6,73 milhões, quedas de 28,7% e 19,9% em relação a agosto de 2025. No acumulado do ano, as exportações locais somaram 3,9 milhões e US$ 55,5 milhões, reversões de 17,6% e 18,6%, respectivamente, no comparativo com intervalo correspondente ao ano passado.

