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Estudo mostra que sobrecarga mental leva brasileiros a evitarem redes, gente e até consumo

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Uma transformação silenciosa está em curso no Brasil. Em um país historicamente marcado pela sociabilidade e pela hiperconexão, cresce o número de pessoas que escolhem se recolher, desconectar e desacelerar. É o que mostra o novo estudo “O Tempo das Coisas”, da BALT Consultoria de Pesquisa e Estratégia, que investigou mudanças nos hábitos de consumo, rotina e relações entre os brasileiros.

O levantamento, de caráter qualitativo, foi realizado entre janeiro e março de 2025 com mais de 100 pessoas de todas as regiões do país, entre 16 e 70 anos. A conclusão: há um cansaço coletivo se manifestando por meio da redução de interações sociais, afastamento das redes sociais, menor interesse por compras impulsivas e um desejo crescente por tempo de qualidade, silêncio e autocuidado.

“Chegamos a um ponto em que tudo parece demais — reuniões, notificações, conteúdos, tarefas. As pessoas não querem mais performar o tempo todo. Elas estão escolhendo o que viver, o que consumir, o que responder. É uma reação a um mundo em que o tempo deixou de ser nosso”, explica Lucas Fraga, co-founder e Head de Estratégia da BALT.

Os novos comportamentos que o estudo identificou incluem:

  • O silêncio e o tédio passam a ser vistos como formas legítimas de autocuidado

  • Redes sociais são evitadas por provocarem exaustão e ruído mental

  • Relações interpessoais estão sendo revistas — encontros demais viraram fonte de estresse

  • Compras impulsivas e acúmulo de bens perderam espaço, mesmo entre os mais jovens

  • O tempo está sendo revalorizado: o ritmo agora é mais seletivo, intencional e humano

“O que vimos foi um desejo transversal — entre faixas etárias, regiões e classes sociais — por mais presença, pausa e sentido. Existe um afastamento da lógica de produtividade extrema que ditou o comportamento nas últimas décadas”, explica Ana Catarina Holtz, co-founder e Head de Pesquisa da BALT.

Dados que ilustram essa virada de comportamento:

  • 72% sentem que o tempo está “acelerado demais para dar conta de tudo”

  • 64% afirmam estar se afastando das redes sociais por exaustão

  • 58% evitam aglomerações e locais barulhentos, mesmo após a pandemia

  • 55% dizem ter reduzido compras por impulso nos últimos 12 meses

  • 47% buscam momentos de silêncio e isolamento como autocuidado

  • 41% passaram a evitar compromissos sociais com mais frequência

Segundo a equipe da BALT, o movimento é cultural — e já impacta a forma como as pessoas consomem, se informam, compram e se relacionam com marcas.

“Estamos observando uma transformação estrutural: o excesso virou incômodo. As pessoas estão revendo o valor do tempo, repensando o que compram, onde se informam e o que compartilham”, explica Ana Holtz. “A busca por silêncio e autonomia não é modismo — é um sinal claro de esgotamento social.”

Implicações para marcas e empresas

O estudo acende um alerta para marcas, empresas e criadores de conteúdo: a hiperexposição, o excesso de estímulo e a pressão por performance constante estão sendo rejeitados. A nova mentalidade valoriza tempo livre, cuidado emocional e experiências com significado.

“Não estamos falando só de consumo, mas de uma reconfiguração do desejo. O novo luxo, hoje, é ter tempo. As marcas que entenderem isso primeiro vão sair na frente”, conclui Lucas Fraga.

 Acesse o relatório completo da BALT e entenda como esse novo comportamento pode exigir uma mudança urgente nas estratégias de mercado, comunicação e relacionamento com o público: https://www.baltreports.com/

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