A pandemia provocou uma série de mudanças na forma das pessoas trabalharem. Como era necessário o isolamento social, as plataformas digitais cresceram naquele período em razão do aumento da demanda por pedidos diversos realizados de forma remota. Por outro lado, foi um momento de geração de novos postos de trabalho ofertados pelos próprios aplicativos, que precisavam atender à demanda do momento.
Para analisar esse cenário, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizou estudo inédito e verificou que no Ceará existem 60 mil trabalhadores que atuam por meio de plataformas digitais de serviços, os famosos aplicativos.
Desse total, 53 mil trabalham por meio de aplicativos de serviços, e 7 mil utilizam plataformas de comércio. No total, no estado, a população ocupada de 14 anos ou mais de idade, inclusive os empregados no setor público e militares, foi estimada em 3,2 milhões de pessoas.
O estudo, divulgado nessa quarta-feira (25/10), observou ainda que o rendimento médio real do cearense recebido no trabalho principal foi estimado em R$ 1.450. Entre os trabalhadores que atuam por meio de aplicativos, o valor é de R$ 1.822, projeção 26,2% superior à do rendimento médio daqueles que não trabalham com aplicativos (R$ 1.444).
Com relação à jornada de trabalho, o IBGE verificou que, no Ceará, os trabalhadores por aplicativos trabalhavam habitualmente, em média, 46,3 horas por semana no trabalho principal, sendo essa jornada 9,5 horas mais extensa que a dos demais ocupados (36,8 horas). Com relação a todas as Grandes Regiões, observa-se que a média de horas habitualmente trabalhadas por semana entre os plataformizados é maior que a dos não plataformizados.
Dessa forma, as diferenças nas horas habitualmente trabalhadas, assim como no nível de instrução, entre plataformizados e não plataformizados, também poderiam contribuir para os diferenciais de rendimento entre esses dois grupos.
No cenário nacional são 2,1 milhões de trabalhadores que obtêm sua principal fonte de renda nessas plataformas. Desse total, 1,5 milhão atua como motoristas de serviços de passageiros ou entregadores de comida e produtos. São homens em sua imensa maioria (81,3%), com escolaridade elevada (61,3% têm ensino médio completo ou superior incompleto) e jovens (48,4% têm entre 25 e 39 anos).
“Os aplicativos são muito importantes para a economia do nosso estado, primeiro por gerarem emprego e potencializarem muitos negócios, que começaram pequenos e se tornaram grandes com o tempo. Além de tudo nós contamos com atendimento personalizado e prático, geralmente feito de forma rápida. Por isso, cada vez mais estão fazendo parte da vida das pessoas, pela praticidade e facilidade. Trata-se de uma atividade que gera emprego e movimenta a economia”, avalia a economista Desirée Mota.
Fonte: https://oestadoce.com.br/

