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Ceará projeta salto no PIB com foco em economia do conhecimento

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O cenário econômico do Ceará atravessa um momento de transição estratégica, mirando não apenas o crescimento quantitativo, mas um desenvolvimento sustentável e tecnológico. Durante seminário promovido pela Academia Cearense de Economia (ACE), na Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), nesta terça-feira (5), o secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado, Fábio Feijó, detalhou o plano estratégico de desenvolvimento econômico do Governo do Ceará para elevar a participação do PIB nacional, que historicamente orbita os 2%.

“Mais importante do que crescer o nosso PIB é realmente desenvolver, incorporar insumos e instrumentos que possam sustentar esse crescimento com inteligência e produtividade. Produtividade é fazer mais com os mesmos recursos”, afirmou o secretário.

Fábio Feijó destacou que o estado conseguiu reverter uma tendência histórica de estagnação. Enquanto o PIB cearense mantinha-se tradicionalmente na casa dos 2%, Feijó apresentou exemplos concretos de avanço, como os contratos firmados e obras em execução no Complexo do Pecém. Essas ações abrangem desde a economia tradicional até a nova indústria verde e a economia do conhecimento, demonstrando que as diretrizes estabelecidas no início da gestão de Elmano de Freitas já geram resultados tangíveis.

O titular da SDE finalizou sua apresentação mostrando que é possível passar dos 2%. De acordo com Feijó, os dados apresentados confirmam que o estado pode superar a marca anterior, com projeções de atingir 2,19% do PIB nacional até o final do ano. Este crescimento coloca o Ceará acima da média de expansão do país, quebrando o ciclo em que o estado crescia menos que a federação. Segundo o gestor, o objetivo final segue alinhado ao plano Ceará 2050, que visa elevar a participação do estado para 4% do PIB brasileiro, proporcional à sua representação populacional no cenário nacional.

Foto: Ascom SDE

ZPE II: Novo marco industrial

O ponto alto da apresentação foi o detalhamento dos investimentos no Complexo do Pecém. Feijó revelou que o setor dois da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) já vive um momento histórico. Já são mais de de R$ 200 bilhões em contratos firmados. O Hub de Hidrogênio Verde tem como foco não apenas a exportação da molécula, mas atrair indústrias que utilizem o hidrogênio como insumo para transformar o perfil produtivo do estado. E os projetos de Data Centers foram comparados por Feijó a uma “nova CSP” em termos de impacto econômico.

Um dado inédito compartilhado pelo secretário é a criação de uma rota aérea de carga. Com a instalação de grandes data centers, estima-se que 15 aviões cargueiros pousem mensalmente no Ceará para reposição de componentes tecnológicos. “Isso abre uma oportunidade sem precedentes para o agronegócio e a indústria de calçados usarem o frete de retorno para exportar para a China com tempo recorde”, pontuou.

Vozes do setor produtivo e acadêmico

O presidente da Academia Cearense de Economia, Sérgio Melo, abriu o evento com uma provocação sobre a necessidade de ousadia. Para Melo, o seminário é o resultado de meses de escuta ativa junto a entidades como Fiec e Faec.

“O Ceará avançou muito, mas precisamos ter a honestidade de reconhecer o descompasso entre o nosso potencial e o que entregamos. Nosso PIB representa 2% do nacional; para nossa capacidade criativa e posicionamento estratégico, isso não é suficiente. Precisamos de coragem para crescer mais e melhor”, declarou Sérgio Melo.

Representando a Federação das Indústrias, o 1º vice-presidente Carlos Prado reforçou o papel da indústria cearense como motor dessa transformação. A Fiec tem sido parceira direta na validação das metas de governo, contribuindo com dados do Observatório da Indústria para nortear as tomadas de decisão.

Metas audaciosas: o caminho para os 4%

Feijó encerrou apresentando uma análise histórica da participação do PIB cearense no Brasil desde 1939. O objetivo é alcançar a meta de 4% estabelecida no plano Ceará 2050.

O secretário executivo Silvio Carlos deve conduzir, junto aos executivos da SDE, Vicente Ferrer e Brígida Miola, as rodadas de conversas com o setor produtivo para operacionalizar as novas rotas logísticas e garantir que o “dinheiro novo” dos investimentos em energia limpa se transforme em bem-estar social e renda para o povo cearense.

O evento reuniu a cúpula da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), contando com a presença dos secretários executivos Silvio Carlos (Agronegócio), Brígida Miola (Indústria) e Vicente Ferrer (Comércio, Serviços e Inovação), reforçando a integração das pastas em prol das metas do plano “Ceará 2050”.

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