A incidência de extrema pobreza, no estado do Ceará, em 2022 diminuiu quando comparada a 2021 e ao ano de 2019, antes da pandemia de coronavírus. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais, divulgada na quarta-feira (6) pelo IBGE. O levantamento ainda aponta que a mesma queda se verificou na proporção de pessoas em situação de pobreza em 2022, que também declinou em relação a 2021, mas ficou estável em relação a 2019.
Contudo, a pesquisa explica que mesmo com a queda, 1 milhão de pessoas viviam em extrema pobreza no Ceará em 2022, ou seja, com menos de R$ 202 reais por mês, e mais de 4,7 milhões, ou 1 em cada 2 residentes no Estado, viviam em situação de pobreza, com menos de R$ 644 por mês.
O Instituto utilizou nessa análise os parâmetros do Banco Mundial de US$ 2,15 para extrema pobreza e US$ 6,85 para a pobreza, em termos de Poder de Paridade de Compra a preços internacionais de 2017, dentre outras linhas de pobreza utilizadas para diferentes propósitos no país.
Quando se menciona pobreza, nesse estudo, está se referindo à pobreza monetária, ou seja, por insuficiência de renda, sem considerar outras dimensões, como acesso à educação, saúde e moradia adequada.
Programas sociais
O aumento dos recursos e valores dos benefícios direcionados às famílias pobres pelo Auxílio Brasil, quando comparado com o Auxílio Emergencial 2021, em conjunto com o maior dinamismo do mercado de trabalho, certamente tiveram impactos sobre a redução da pobreza e da extrema pobreza em 2022. Mesmo assim, o estado do Ceará foi o quarto da Região Nordeste que mais concentrou as pessoas vivendo em situação de extrema pobreza e o terceiro em proporção de pessoas em situação de pobreza.
Mais uma vez, o IBGE avaliou o impacto dos programas sociais na incidência de pobreza e extrema pobreza. Além da maior participação na composição da renda da população extremamente pobre, os benefícios de programas sociais governamentais também proporcionam maior impacto na redução da extrema pobreza.
Em 2022, na hipótese de não existirem os referidos programas no Ceará, a extrema pobreza teria sido cerca de duas vezes maior do que com a existência desses programas, levando o percentual de 10,9% para 22,2%. Com relação à pobreza, os impactos da ausência dos benefícios de programas sociais governamentais teriam sido menores, com uma proporção de pobres 11,0% maior do que o efetivamente registrado, passando de 50,7% para 56,3%, em 2022.
Isso evidencia de fato, que os benefícios de programas sociais servem de colchão de amortecimento para os impactos mais severos sobre a população mais vulnerável. Índice de Gini de 2022 passaria de 0,518 para 0,588 sem os programas sociais
No Ceará, o índice de Gini, indicador que mede a desigualdade na distribuição de renda, ficou em 0,518 em 2022, registrando queda de 5,6% em relação a 2021 (0,549). Sem os programas sociais, no entanto, o índice de Gini de 2022 seria de 0,588, com queda menor de 2,2% em relação a 2021 (0,601).
Fonte: O Otimista

