O cartão de crédito segue como o principal responsável pela inadimplência dos brasileiros. É o que revela uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), pelo SPC Brasil e pela Offerwise Pesquisas, que aponta um aumento expressivo das dívidas relacionadas ao crédito bancário e ao consumo.
De acordo com o levantamento, o cartão de crédito representa 42% das restrições ao crédito, registrando um crescimento de 18 pontos percentuais em relação a 2025. Na sequência aparecem os empréstimos em bancos e financeiras (26%) e o crediário (23%), ambos também com alta significativa no período.
A pesquisa também identificou quais contas costumam ficar em atraso antes mesmo de o consumidor ter o nome negativado. As contas de telefonia lideram o ranking, seguidas por empréstimos bancários, cartão de crédito, contas de água e luz e IPTU.
Mesmo diante das dificuldades financeiras, os consumidores estabelecem prioridades na hora de pagar as contas. A internet aparece como a despesa mais preservada, seguida pelas contas de água e energia elétrica, telefone e TV por assinatura. O cartão de crédito ocupa a quinta posição entre as contas consideradas prioritárias.
Outro dado que chama atenção é o tempo médio das dívidas. Débitos relacionados à educação, como mensalidades escolares e FIES, apresentam atraso médio de 15 meses. Empréstimos e cartões de crédito aparecem logo em seguida, com média de 13 meses de atraso, demonstrando a dificuldade de muitas famílias em reorganizar suas finanças.
Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o cenário reflete o comprometimento do orçamento das famílias brasileiras. “O cartão de crédito e as linhas de financiamento deixaram de ser ferramentas de mera conveniência e passaram a ser utilizados para complementar a renda. Quando esse limite é atingido e os juros começam a acumular, o devedor perde o controle, transformando o crédito bancário no maior gargalo de inadimplência e restrição do país”, afirmou.

