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Câncer de Próstata: preconceito impede busca por prevenção

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Novembro Azul é uma campanha global de conscientização dedicada à prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata, a segunda forma mais comum de câncer entre os homens, ficando atrás somente para o de pele. Durante o mês de novembro, organizações ao redor do mundo unem-se para promover a saúde masculina, incentivando a cuidarem de sua saúde e realizarem exames de rotina. No entanto, a adesão a essas recomendações enfrenta um desafio cultural: o comportamento de muitos homens em relação ao autocuidado e à prevenção.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata atinge cerca de 66 mil homens por ano no Brasil, sendo responsável por mais de 15 mil mortes anuais.

O diagnóstico precoce pode aumentar significativamente as chances de cura, mas o tabu em torno dos exames preventivos ainda é uma barreira importante. O exame de toque retal, junto com a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico) no sangue, são as formas mais eficazes de detectar a doença em estágios iniciais. Entretanto, muitos homens evitam ir ao médico, seja por medo, preconceito, ou por uma sensação de invulnerabilidade.

A psicanalista Rachel Poubel faz uma análise sobre o motivo pelo qual os homens, em sua maioria, são mais relutantes em adotar uma rotina de cuidados com a saúde, comparando-os com as mulheres, que historicamente são mais atentas às questões de prevenção.

Segundo Poubel, a diferença de comportamento entre os gêneros começa a ser moldada desde a infância. “Do homem sempre foi exigido uma performance de força e a impossibilidade de mostrar a vulnerabilidade. Já da mulher sempre foi permitida a fragilidade, por isso mulheres demonstram mais sentimentos e não têm vergonha de se cuidarem”, explica.

A psicanalista também aponta que, para muitos homens, reconhecer a necessidade de cuidado é equivalente a admitir uma fraqueza. “Muitos homens sentem que devem ser autossuficientes e, por isso, evitam demonstrar vulnerabilidade, o que inclui procurar um médico. O medo de diagnósticos graves ou de enfrentar tratamentos invasivos também pode fazer com que eles adiem a ida ao médico. Além disso, o medo de exames específicos, como o de toque retal, pode gerar ansiedade e resistência”, afirma.

Poubel acredita que o incentivo das famílias pode ser fundamental para encorajar os homens a buscarem por ajuda médica. “As famílias podem ter um papel ativo ao incentivarem os homens a cuidarem mais da saúde. Precisamos investir em educação desde crianças. Ensinar ao menino a importância do autocuidado”, disse.

Caso Dr. Hollywood

O famoso cirurgião plástico Robert Rey, mais conhecido como o Dr. Hollywood, recentemente revelou que foi diagnosticado com um câncer de próstata. Em entrevista, ele afirmou que sempre cuidou da saúde física, principalmente da alimentação, porém, não deu a mesma atenção à saúde mental e ao estresse, fatores que, para ele, desencadearam a doença.

“Robert Rey frequentemente falava sobre saúde e estética, mas também foi alvo de críticas por seu estilo de vida e comentários sobre masculinidade. Ele chegou a criticar a masculinidade moderna, promovendo uma visão tradicional do homem forte e autossuficiente. Esse tipo de discurso pode perpetuar estigmas em torno da vulnerabilidade e do cuidado com a saúde. Teve muito cuidado com o corpo mas não cuidou da mente e das emoções”, comenta a psicanalista.

Poubel conclui dizendo que “oferecer suporte emocional para lidar com medos e ansiedades relacionados à saúde e exames médicos é fundamental. Na realidade, a terapia deve fazer parte da vida dos homens para esses tipos de bloqueios”.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

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