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Black Friday deve movimentar R$ 426 milhões em Fortaleza

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Pesquisa sobre o Potencial de Consumo do Fortalezense para a Black Friday, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), da Fecomércio Ceará, projeta um faturamento de R$ 426 milhões para o comércio varejista de Fortaleza, impulsionado principalmente pela compra de presentes.

O resultado representa um crescimento de 9,7% em relação às vendas de 2024, superando o desempenho registrado no Dia das Mães e consolidando a Black Friday como a segunda melhor data do ano para o varejo da capital cearense, ficando atrás apenas do Natal. O avanço observado reflete um conjunto de fatores econômicos e comportamentais que têm favorecido a propensão ao consumo.

A melhora gradual da confiança do consumidor, impulsionada por uma percepção mais favorável do mercado de trabalho e pela recuperação parcial do poder de compra, cria um ambiente mais propício às decisões de compra planejadas.  Ao mesmo tempo, a expectativa de continuidade no ciclo de redução das taxas de juros reforça a atratividade do crédito, especialmente para bens duráveis e semiduráveis, que são os mais buscados durante a Black Friday.

Segundo a diretora institucional da Fecomércio-CE, Cláudia Brilhante, esse cenário é complementado pelo movimento de antecipação das compras de fim de ano, quando os consumidores aproveitam as promoções do período para garantir presentes de Natal e itens de maior valor com descontos relevantes, maximizando o orçamento familiar e buscando parcelamentos mais longos com menor custo financeiro.

“As datas comemorativas exercem papel decisivo no desempenho do comércio varejista, impulsionando as vendas, dinamizando a economia local e fortalecendo, sobretudo, micro e pequenas empresas. Além disso, contribuem para reduzir a sazonalidade do setor e manter níveis mais estáveis de emprego ao longo do ano”, analisa.

Intenção de compras

A pesquisa revela que 43% dos consumidores de Fortaleza declaram intenção de realizar compras na Black Friday, demonstrando uma adesão significativa ao evento, podendo ser ainda mais relevante, tendo em vista que 16,4% dos entrevistados ainda não se decidiram sobre a possibilidade de consumo.

Entre esses consumidores, predomina um comportamento de compra orientado pela necessidade, no qual as promoções são vistas como oportunidade para adquirir produtos previamente planejados a preços mais baixos (63,5%). Isso indica que o consumo será majoritariamente racional, com foco na reposição de bens e na utilização estratégica dos descontos disponíveis, em vez de impulsos de compra por desejo momentâneo.

O ticket médio projetado se concentra na faixa entre R$ 250 e R$ 1.000, com 42,9% dos entrevistados revelando a intenção de compra de pelo menos três produtos, o que reforça a tendência de aquisição de produtos de valor moderado, viáveis dentro do orçamento familiar e compatíveis com condições de parcelamento acessíveis.

Foto: Reprodução

Mais procurados

No que diz respeito às categorias mais procuradas, os eletrodomésticos lideram a intenção de compra (42,8%); seguidos por roupas e artigos de vestuário (36,8%); calçados, cintos e bolsas (29,6%); eletrônicos (15,7%); artigos para o lar (12,8%); aparelhos de telefonia celular (9,2%); cosméticos e perfumes (9,1%) e móveis e artigos de decoração (8,5%).

De acordo com Cláudia Brilhante, esse perfil de demanda sinaliza um comportamento equilibrado, combinando a aquisição de bens necessários ao cotidiano com produtos de maior valor agregado, favorecidos pelas condições de crédito e parcelamento oferecidas no período promocional.

A pesquisa aponta que quase 57,6% dos consumidores pretendem parcelar suas compras, tendo o cartão de crédito como principal meio de pagamento. Esse comportamento evidencia a importância do acesso ao crédito como mecanismo de viabilização das compras, especialmente para produtos de maior valor.

A intenção predominante de dividir os gastos entre cinco e dez parcelas (57,3%) indica que os consumidores confiam em uma estabilidade mínima do fluxo de renda nos próximos meses, o que reforça a necessidade de um cenário econômico favorável para sustentar o nível de consumo projetado.

Quanto aos canais de compra, a preferência dos consumidores é pela experiência presencial, com 66% afirmando preferir lojas físicas, motivados pelo contato direto com o produto e pela sensação de segurança na transação. Já o ambiente digital consolida-se como canal complementar, com 61,0% da preferência, sobretudo para pesquisa de preços, comparação de ofertas e avaliação de reputação das marcas.

A decisão de compra de forma digital está fortemente ancorada na confiança na loja, no histórico positivo de atendimento e na credibilidade da marca, o que favorece varejistas com maior reconhecimento no mercado.

Apesar do cenário promissor, persistem barreiras que podem limitar o potencial de consumo. Entre os consumidores que não pretendem comprar, 32,2% apontam desconfiança quanto à veracidade das promoções, refletindo uma percepção recorrente de reajustes prévios de preços.

Além disso, 21,7% afirmam estar restringindo gastos devido à situação econômica, indicando que a sensibilidade à renda e ao endividamento ainda constitui um fator de contenção. Dessa forma, a credibilidade do evento e a transparência nas ofertas serão determinantes para a conversão das intenções em vendas efetivas.

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Carregar mais por Kátia Alves
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