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Artesãs cearenses lançam coleção através de iniciativa do Instituto Camboa e Catarina Mina

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Artesãs cearenses de Acaraú e Itarema lançaram através de iniciativa do Instituto Camboa e parceria com a marca cearense Catarina Mina, o Projeto Raízes, uma iniciativa que transforma saberes artesanais de comunidades em uma coleção de peças para casa e decoração.

Inicialmente, o projeto aproxima artesãs, mestras e designers para desenvolver produtos a partir de técnicas tradicionais do território, como renda de tramoia, renda de bilro, linho de palha da carnaúba e rede de travessa. A proposta é valorizar o fazer manual, ampliar oportunidades de geração de renda e criar uma ponte entre cultura local, design e turismo responsável.

Nesta etapa inicial, estão previstos sete itens, desenvolvidos a partir do encontro entre o conhecimento das artesãs, o olhar de design da Catarina Mina e as demandas de empreendimentos turísticos e de hospitalidade do território, como o Vila Carnaúba.

A ideia é fortalecer uma cadeia de valor local, em que hotéis, pousadas, condomínios e outros negócios da região incorporem produtos feitos por artesãs do próprio território, estimulando a demanda e contribuindo para a preservação cultural.

“O projeto parte do entendimento de que o desenvolvimento turístico de um território pode, e deve, caminhar junto ao fortalecimento de quem já vive, produz e constrói a identidade artesanal daquele lugar”, afirma Celina Hissa, diretora criativa da Catarina Mina, referência em design autoral e valorização do fazer manual no Ceará e no Nordeste, e que faz sua estreia na região de Acaraú e Itarema.

Design amplia percepção de valor do artesanato

O Projeto Raízes identificou 31 artesãs nas comunidades atendidas pelo programa. O diagnóstico aponta que 100% do grupo é formado por mulheres e mães. Entre elas, 83,8% começaram a aprender as técnicas artesanais entre 5 e 12 anos, enquanto 87,1% aprenderam o ofício com familiares.

A parceria com a marca cearense Catarina Mina introduziu processos de design e curadoria na criação dos produtos. Segundo Sophia, a abordagem considera a autoria das artesãs.

“A associação do design da Catarina Mina contribuiu para ampliar a percepção de valor dos produtos, considerando não apenas matéria-prima e tempo de produção, mas a complexidade das técnicas e a história do território”, afirma.

artesãs Ceará
Foto: Samuel Furtado/Divulgação

O projeto trabalha com técnicas como renda de tramoia, renda de bilro, rede de travessa e trançados com palha de carnaúba. A diretora do Instituto afirma que o processo contribuiu para uma precificação mais justa e maior valorização econômica do trabalho artesanal.

Os resultados de geração de renda, porém, ainda estão sendo mensurados. “Como os valores e os rendimentos variam conforme a técnica, o volume produzido e a dinâmica de cada grupo, o projeto vem buscando consolidar indicadores que permitam mensurar com mais precisão a geração de renda e os resultados do trabalho”, diz a gerente.

O acompanhamento dos indicadores é realizado em parceria com o projeto Mães do Mar, com apoio da Prefeitura de Acaraú e de pesquisadores da região.

Produção local entra na cadeia dos empreendimentos

A utilização de peças produzidas pelas artesãs nos projetos imobiliários e hoteleiros, aponta a gestora, permite que parte dos recursos gastos com produtos e objetos de decoração seja direcionada a fornecedores do próprio território.

“Isso significa que a receita gerada pelos empreendimentos de luxo se converte diretamente em renda e oportunidades para famílias das comunidades de Acaraú e Itarema, fortalecendo a economia local”, afirma.

O Projeto Raízes também procura aproximar os saberes tradicionais de novas aplicações. De acordo com Sophia, o design é utilizado para conectar as técnicas artesanais a segmentos como moda, arquitetura e design de interiores.

“O design é a principal ferramenta de desenvolvimento do Projeto Raízes, atuando como uma ponte entre os saberes tradicionais de cada território e novas linguagens, técnicas e possibilidades de criação”, explica.

Para a diretora do Instituto Camboa, essa aproximação pode contribuir para criar novas perspectivas de renda, pertencimento e continuidade para os conhecimentos transmitidos entre gerações. O objetivo, segundo ela, é permitir que as técnicas continuem se transformando sem perder sua relação com a tradição.

Instituto mobilizou mais de R$ 4 milhões

O Instituto Camboa tem mais de quatro anos de atuação no território e, segundo Sophia, já estabeleceu mais de 50 parcerias com organizações públicas, privadas e da sociedade civil. Nesse período, foram mais de R$ 4 milhões investidos ou mobilizados em projetos relacionados a gestão de resíduos, educação, cultura, saúde e preservação ambiental.

Entre os parceiros citados estão Grupo Carnaúba, Ambev, FIEC, SESI, SENAI, Sebrae e prefeituras. Segundo a diretora, o Grupo Carnaúba participou da fundação do Instituto e permanece entre seus principais apoiadores.

Mais de 500 pessoas das comunidades já participaram de capacitações gratuitas. Em 2026, novas parcerias foram estabelecidas com Catarina Mina, TIWA e Instituto A.Mar.

Para os próximos anos, a meta, de acordo com Sophia, é ampliar o número de pessoas capacitadas e fortalecer redes de fornecedores locais para os setores de hospitalidade, turismo e construção civil.

“A estratégia é fazer com que o crescimento do turismo na região também se traduza em oportunidades concretas para as comunidades e os negócios locais, fortalecendo uma cadeia de valor mais inclusiva e sustentável e promovendo o desenvolvimento responsável da região”, afirma.

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