Um aplicativo de triagem para transtorno do espectro do autismo (TEA) baseado em tablet pode melhorar a detecção precoce, sugere um estudo financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde. A detecção precoce é fundamental para o acesso a intervenções precoces que podem ter efeitos positivos importantes a longo prazo sobre os sintomas e as competências posteriores.
O aplicativo apresentou sensibilidade de 87,8% para detecção de TEA, o que significa que identificou corretamente a maioria das crianças com a doença. Sua especificidade – a porcentagem de crianças sem TEA com triagem negativa – foi de 80,8%. Ao identificar com precisão as crianças que justificam uma investigação mais aprofundada do TEA, a aplicação pode ajudar os prestadores de cuidados de saúde a garantir que as crianças e as famílias recebem o apoio de que necessitam.
Métodos e desafios tradicionais
Os prestadores de cuidados de saúde normalmente examinam crianças pequenas para TEA usando um questionário aos pais. No entanto, estudos descobriram que a precisão de tais questionários tende a ser menor em ambientes de cuidados primários em comparação com ambientes de investigação, particularmente entre raparigas e crianças negras. Isso pode ampliar as disparidades no diagnóstico e intervenção precoces.
Apresentando o aplicativo SenseToKnow
Para atender à necessidade de ferramentas de triagem de TEA mais precisas, os pesquisadores desenvolveram o aplicativo SenseToKnow, que registra e analisa as respostas das crianças a curtas-metragens projetados para provocar uma série de padrões comportamentais.
O aplicativo pode rastrear muitos sinais iniciais de TEA, incluindo diferenças na atenção social, expressões faciais, movimentos da cabeça, resposta ao nome, frequência de piscar de olhos e habilidades motoras. O trabalho foi liderado por Geraldine Dawson, Ph.D., e Guillermo Sapiro, Ph.D., do Centro de Excelência em Autismo da Duke University, Durham, Carolina do Norte.
Resultados do estudo
Os profissionais de saúde usaram o SenseToKnow para examinar crianças de 17 meses a 3 anos durante uma consulta de puericultura. Das 475 crianças inscritas no estudo, 49 foram posteriormente diagnosticadas com TEA e 98 foram diagnosticadas com atrasos no desenvolvimento sem TEA. A capacidade do aplicativo de detectar com segurança crianças diagnosticadas com TEA foi consistente em crianças de diferentes sexos, raças e etnias.
No geral, os participantes que tiveram resultado positivo no teste de TEA usando o aplicativo tiveram uma probabilidade de 40,6% de serem posteriormente diagnosticados com a doença. Em comparação, apenas cerca de 15% das crianças cujo teste é positivo usando o questionário padrão dos pais são posteriormente diagnosticadas com TEA. A combinação do aplicativo com o questionário padrão aumentou a probabilidade de um exame positivo resultando em diagnóstico posterior para 63,4%.
Conclusão e direções futuras
Segundo os autores, o estudo é um passo em frente no desenvolvimento de ferramentas de rastreio de PEA que podem reduzir as disparidades no acesso ao diagnóstico e intervenção precoces. Observam também a importância de garantir que as crianças com um resultado de rastreio positivo sejam encaminhadas para encaminhamentos e serviços adequados.
Fonte: Scitech Daily

