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Governo federal projeta bater recorde de receita em 2026

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A projeção da receita do governo federal para 2026 atinge um recorde histórico de R$ 3,24 trilhões, impulsionada por novos impostos e pela alta do petróleo no mercado externo. A estimativa consta na proposta orçamentária encaminhada ao Congresso Nacional e representa 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Se confirmado, será o maior patamar da série histórica da Secretaria do Tesouro Nacional, iniciada em 1997 — ou seja, o maior em 30 anos.

Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, o dado sinaliza um ambiente de carga tributária elevada, com reflexos diretos no custo de operação e na competitividade. A receita total considera a arrecadação de tributos do governo federal e outros ingressos, como royalties, concessões e dividendos, sem contar estados e municípios.

Recorde histórico e composição da receita

A marca de 23,7% do PIB supera todos os registros anteriores da série do Tesouro Nacional. Esse conceito difere da carga tributária geral da economia, que somou 32,1% do PIB em 2024, segundo a Receita Federal — incluindo tributos estaduais e municipais. O resultado de 2025 ainda não foi divulgado.

O terceiro mandato do presidente Lula foi caracterizado pela carga tributária em recordes históricos e pelo crescimento de despesas, autorizado pela PEC da transição, que aumentou em cerca de R$ 170 bilhões as despesas anuais nos orçamentos públicos de cada ano, com criação de novas despesas e recomposição de orçamentos.

Ao mesmo tempo, o governo tem registrado alta nas receitas de exploração do petróleo neste ano, impulsionadas pelo preço do produto no mercado externo, fruto da guerra no Oriente Médio. A expectativa é arrecadar R$ 172,1 bilhões em 2026 (1,3% do PIB), contra R$ 139,3 bilhões em 2025 (1,1% do PIB).

Orçamento de 2027

A proposta de orçamento de 2027 prevê receita total de R$ 3,46 trilhões e projeta superávit de R$ 18,6 bilhões nas contas públicas no próximo ano.

O texto orçamentário também traz um capítulo destinado às chamadas “medidas de recomposição das receitas e mudanças estruturais na tributação”.

“A reversão do processo de deterioração da base arrecadatória federal tem sido um grande desafio, embora alguns avanços já possam ser detectados”, diz a proposta de orçamento de 2027.

No documento, o governo afirma que medidas tomadas nos últimos anos tiveram como objetivo reorganizar a base arrecadatória e corrigir distorções.

“Muitas dessas medidas foram instituídas com o propósito de corrigir distorções de mercado, reduzir gastos tributários ineficazes ou aumentar a progressividade tributária, mas seus efeitos fiscais para o equilíbrio financeiro da União são significativos”, acrescentou o governo.

Petróleo em alta

Além do aumento de tributos, a alta nas receitas ligadas à exploração de petróleo também contribui para o desempenho projetado.

A expectativa do governo é arrecadar R$ 172,1 bilhões com exploração de petróleo em 2026, o equivalente a 1,3% do PIB. Em 2025, o montante estimado foi de R$ 139,3 bilhões, ou 1,1% do PIB.

Segundo o material, a alta é impulsionada pelo preço do petróleo no mercado externo, em um contexto de guerra no Oriente Médio.

Mudanças tributárias

O terceiro mandato do presidente Lula tem sido marcado por aumento de arrecadação e crescimento de despesas públicas.

Entre as medidas de recomposição de receitas citadas estão a tributação de fundos exclusivos, voltados à alta renda, e de offshores no exterior.

Também foram mencionadas mudanças na tributação de subvenções concedidas por estados, aumento de impostos sobre combustíveis, reoneração gradual da folha de pagamentos, fim de benefícios do setor de eventos e taxação das bets.

A lista inclui ainda aumento do IOF sobre crédito e câmbio, maior tributação dos juros sobre capital próprio, aumento na tributação de fintechs, redução de benefícios fiscais, elevação do imposto de importação sobre mais de mil produtos e imposto de exportação sobre petróleo.

Imposto de Renda

Em contrapartida, o governo ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, ou R$ 60 mil por ano.

A medida será efetivada na declaração de 2027. Também foi criado um desconto progressivo menor para rendas de até R$ 7.350 mensais.

Para compensar as reduções no imposto, a medida estabelece cobrança mínima para contribuintes de alta renda, com alíquota progressiva de até 10% para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano.

Avaliação de especialistas

A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, avalia que o aumento de tributos e a alta do preço do petróleo ajudam a sustentar o crescimento da arrecadação, mesmo em um cenário de perda de ritmo da atividade econômica.

No segundo trimestre de 2026, o PIB cresceu 0,5%, abaixo da alta de 1,1% registrada entre janeiro e março. Apesar do bom desempenho das receitas, Rafaela afirma que as contas públicas ainda devem fechar o ano no vermelho.

“O governo tem uma forte alta na arrecadação esse ano e ainda vai gerar um déficit primário próximo de 0,5% do PIB, resultado que deve ser pior que o de 2025”, avaliou Rafaela Vitória.

Gastos e dívida pública

Para Rafael Barros Barbosa, pesquisador do FGV IBRE, o crescimento da dívida pública está relacionado ao avanço das despesas em ritmo superior ao da arrecadação.

A dívida do setor público consolidado atingiu 82,5% do PIB em agosto, maior nível desde abril de 2021, quando estava em 82,6% do PIB.

“O que a gente observa nos últimos cinco anos, e essa é uma tendência deste último governo, é que a nossa receita até aumentou, mas os nossos gastos aumentaram mais ainda. Então, a principal explicação de por que a gente tem seguidamente aumentado a relação dívida/PIB é, basicamente, por causa de um aumento dos gastos”, afirma Rafael Barbosa.

Segundo o economista, uma das consequências do aumento da dívida em relação ao PIB é a pressão sobre os juros. “Uma vez que o governo gasta mais do que arrecada, ele acaba estimulando a demanda, gera pressão de inflação, e o Banco Central precisa controlar um pouco essa pressão de inflação, aumentando os juros. Isso tem consequências para toda a economia”, afirmou.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

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