As situações de sofrimento emocional intenso não decorrem de um único fator. Dimensões biológicas, emocionais, sociais, econômicas e histórico de saúde podem se sobrepor, aumentando significativamente a vulnerabilidade de uma pessoa.
Durante o Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção do suicídio, especialistas reforçam a importância de ampliar a atenção aos sinais de sofrimento e evitar explicações simplistas para quadros de crise em saúde mental.
Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Conselho Federal de Medicina (CFM) apontam que 96,8% dos casos de suicídio estudados estavam associados a transtornos mentais com prevalência de depressão, transtorno bipolar e quadros relacionados ao uso de álcool e outras substâncias. Outro dado relevante é que uma tentativa anterior de suicídio é considerada um dos principais fatores de risco individuais, o que reforça a necessidade de acompanhamento contínuo.
Para a médica psiquiatra Emanuella Feitosa, diretora técnica do Thera Saúde Mental, compreender essa complexidade é a premissa para oferecer uma assistência responsável e eficiente. “Isolamento, perdas, conflitos familiares, dificuldades financeiras e transtornos mentais podem aumentar a vulnerabilidade. Por isso, é fundamental olhar para cada pessoa de forma integral e considerar o contexto em que ela está inserida”, explica.
Segundo a especialista, entre os sinais que merecem atenção estão isolamento social repentino, perda de interesse por atividades habituais, mudanças importantes de comportamento, sensação recorrente de desesperança, invalidação ou falas sobre despedidas e ausência.
“Quando percebemos mudanças importantes, o mais indicado é acolher sem julgamento, escutar e ajudar essa pessoa a chegar ao atendimento profissional. Quanto mais cedo o cuidado acontece, maiores são as possibilidades de oferecer suporte e proteção”, orienta Emanuella.

