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Do cigarro ao vape: dependência de nicotina muda de geração e acende alerta no Ceará

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Durante anos, o Brasil construiu uma trajetória de redução do tabagismo. Mas os dados mais recentes mostram que o desafio está longe de terminar — e pode estar assumindo uma nova forma entre os adolescentes. Enquanto a experimentação do cigarro convencional caiu no país, o contato com dispositivos eletrônicos para fumar cresceu de maneira expressiva. No Ceará, há ainda um sinal de alerta adicional: o Estado foi o único do Brasil a registrar aumento na proporção de estudantes de 13 a 17 anos que já experimentaram cigarro convencional entre 2019 e 2024.

Para Alina Farias Franca, pneumologista da Clínica SiM, os números mostram que o combate ao tabagismo precisa acompanhar a transformação dos produtos consumidos. “O que mudou foi a forma de apresentação da nicotina. Para o adolescente, o cigarro eletrônico pode parecer distante da imagem tradicional do cigarro, mas isso não significa que seja inofensivo. A nicotina continua tendo alto potencial de dependência, e quanto mais cedo ocorre o contato, maior é a preocupação com a consolidação desse consumo ao longo da vida”, explica.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE, 18,7% dos estudantes cearenses de 13 a 17 anos disseram já ter experimentado cigarro em 2024, contra 17,6% em 2019. No Brasil, o movimento foi inverso: a proporção caiu de 22,6% para 18,5% no mesmo período. O cenário muda ainda mais quando os cigarros eletrônicos entram na discussão. Na região Nordeste, 22,5% dos adolescentes de 13 a 17 anos já haviam experimentado cigarro eletrônico em 2024. No Brasil, o percentual chegou a 29,6%, ante 16,8% em 2019.

Entre adultos, o Brasil avançou significativamente no controle do tabagismo. De acordo com o Vigitel, a proporção de fumantes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal caiu de 15,7% em 2006 para 11,5% em 2024. Entretanto, o indicador permaneceu estatisticamente estável entre 2019 e 2024.

Em Fortaleza, o Vigitel registrou 6,5% de adultos fumantes em 2023, percentual que coloca a capital cearense entre as cidades brasileiras com menor prevalência do hábito. Para a especialista, a redução entre adultos não significa que o problema esteja resolvido.

“O Brasil teve uma evolução muito importante no controle do tabagismo, mas uma redução da prevalência não significa que podemos baixar a guarda. Ainda existem pessoas dependentes que precisam de tratamento e, ao mesmo tempo, precisamos impedir que adolescentes iniciem o consumo de nicotina”, afirma Franca.

Por que o adolescente é mais vulnerável?

A adolescência é uma fase de intenso desenvolvimento neurológico. A exposição à nicotina pode favorecer a dependência e afetar mecanismos relacionados à atenção, aprendizagem e controle de impulsos. Além disso, os dispositivos eletrônicos podem apresentar sabores e formatos que reduzem a percepção de risco e facilitam a experimentação.

“Um dos problemas é que a primeira experiência pode parecer inofensiva. O adolescente experimenta, repete em situações sociais e, quando percebe, já existe uma rotina de consumo. Por isso, a prevenção precisa acontecer antes da dependência estar instalada”, explica a pneumologista.

Tabagismo não é apenas falta de força de vontade

Para quem já fuma, a especialista reforça que procurar atendimento médico não significa necessariamente estar diante de uma doença pulmonar avançada. O acompanhamento pode ajudar a identificar o grau de dependência e definir uma estratégia para a cessação.

“Parar de fumar não deve ser tratado simplesmente como uma questão de força de vontade. A dependência de nicotina pode exigir acompanhamento profissional, mudanças comportamentais e, em alguns casos, tratamento medicamentoso. Uma recaída também não significa que a pessoa fracassou: pode fazer parte do processo até conseguir abandonar definitivamente o consumo”, destaca.

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, o desafio ganha uma nova dimensão: manter os avanços conquistados contra o cigarro tradicional e evitar que a nicotina encontre uma nova geração de consumidores por meio dos dispositivos eletrônicos.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

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