O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou neste domingo (16) sua campanha à reeleição com um ato no Estádio Municipal 1º de Maio, a antiga Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP).
No primeiro dia em que a legislação eleitoral permite atos de campanha e pedidos explícitos de voto, Lula apostou na defesa da soberania nacional, no uso das cores verde e amarela e no resgate de sua trajetória sindical para abrir a disputa por um quarto mandato.
O local escolhido tem peso na história política do presidente. Foi na Vila Euclides que Lula, então dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, comandou grandes assembleias durante as greves do ABC no fim da década de 1970, movimento que o projetou nacionalmente e antecedeu a criação do PT.
A campanha explorou essa ligação com o lema “Onde tudo começou”, vídeos e imagens das mobilizações daquele período.
Ao publicar imagens da chegada ao estádio, Lula destacou o caráter simbólico do retorno ao local. “Que emoção voltar à Vila Euclides quase 50 anos depois. Obrigado, Brasil, por me permitir voltar ao lugar onde tudo começou.”
Segundo a organização, cerca de 20 mil pessoas participaram do ato.
Soberania
A defesa da soberania nacional apareceu como um dos eixos do lançamento. Lula também tratou da exploração de terras raras, recurso mineral estratégico, em um momento em que o tema ganhou espaço nas relações internacionais e no debate sobre a proteção de riquezas brasileiras.
O discurso integra uma tentativa da campanha de associar a defesa dos interesses nacionais à imagem do presidente.
O próprio PT já havia apresentado a soberania como uma das mensagens que pretende levar à eleição ao anunciar o retorno de Lula à Vila Euclides.
Além do discurso, o uso ostensivo do verde e amarelo reforçou a tentativa de disputar símbolos nacionais que, nas últimas eleições, ficaram fortemente associados ao bolsonarismo.
Segurança pública
Lula também colocou a segurança pública entre as prioridades de uma eventual nova gestão. O presidente voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública e afirmou que pretende criar um ministério específico para a área caso a mudança constitucional avance no Congresso.
“Quem manda no crime organizado está morando em coberturas, não nas favelas”, disse Lula ao defender maior atuação contra as organizações criminosas.
A segurança deve ocupar espaço relevante na campanha presidencial, em meio à pressão sobre o Governo Federal e à disputa com a oposição pelo eleitorado que aponta o tema entre suas principais preocupações.
Lula mira educação, mulheres e jovens
Outro eixo apresentado pelo presidente foi a educação. Lula prometeu ampliar o acesso às universidades e voltou a relacionar o investimento na formação de jovens à redução da desigualdade social. Também citou a expansão dos institutos federais promovida durante governos petistas.
O presidente fez ainda um aceno ao eleitorado feminino ao defender que a formação das crianças inclua o respeito às mulheres. “Tem que aprender desde pequeno que as mulheres são iguais”, afirmou.
Mulheres e jovens aparecem como grupos considerados estratégicos pela campanha.
O ato teve participação de lideranças como as ex-ministras e candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB-SP), Marina Silva (Rede-SP) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), além da primeira-dama Janja da Silva.
Retorno às origens
A escolha de São Bernardo do Campo também serviu para apresentar Lula como uma liderança com origem no movimento dos trabalhadores.
Durante o evento, foram exibidas imagens antigas das greves e um vídeo no qual o Lula atual dialoga simbolicamente com sua versão do passado. A equipe pretende aproveitar as gravações feitas no estádio em peças da campanha.
Lula aproveitou o discurso para pedir a eleição de candidatos alinhados aos trabalhadores para o Congresso e retomou críticas à direita.
Também cobrou da militância que compare as realizações de seu governo às da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente em áreas como educação e emprego.
O lançamento marca o início oficial da sétima campanha presidencial de Lula. A chapa mantém Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice e é apoiada por uma coligação formada por PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSol e Rede.

