Home Negócios ‘Work Bestie’: Por que ter um melhor amigo no trabalho é a maior arma das empresas contra o Burnout

‘Work Bestie’: Por que ter um melhor amigo no trabalho é a maior arma das empresas contra o Burnout

9 min read
0
0
49

Segundo levantamento global do instituto Gallup, profissionais que têm um melhor amigo no trabalho são sete vezes mais engajados em suas funções. Além disso, a probabilidade de sofrerem de Síndrome de Burnout e outras doenças laborais cai consideravelmente.

O fenômeno do “Work Bestie”, termo popularizado para designar o melhor amigo do escritório, deixou de ser uma afinidade casual para se consolidar como um pilar essencial na gestão moderna de pessoas. Em um mercado de trabalho atravessado pela pressão por resultados e por incertezas constantes, construir relações de confiança tornou-se um antídoto contra a insegurança, o isolamento e a alta rotatividade.

Neste Dia do Amigo, celebrado em 20 de julho, Fernando Cardoso, coordenador da graduação em Gestão de RH da UNIASSELVI, chama atenção para o fenômeno, que ganha um contorno cada vez mais estratégico para os negócios.

“O salário e os benefícios atraem o talento, mas são as relações saudáveis e o senso de pertencimento que o mantém na empresa. O ‘work bestie’ é alguém com quem o trabalhador compartilha desafios, celebra conquistas e encontra suporte em momentos de pressão. Não necessariamente é um amigo íntimo fora da empresa, mas é uma referência de confiança dentro do ambiente organizacional”, acrescenta Cardoso.

De acordo com levantamento do instituto BetterUp, os níveis de estresse e ansiedade em profissionais que se sentem desconectados de seus pares podem aumentar em até 158%. A mesma pesquisa aponta que funcionários que se sentem solitários são 109% mais propensos a sofrer de Burnout e relatam um aumento de 77% no estresse diário.

Conexão humana e os novos modelos de trabalho

Para Cardoso, a segurança psicológica gerada por esses vínculos é o que sustenta o bem-estar das equipes e atrai as novas gerações, como os Millennials e a Geração Z, que colocam a qualidade do ambiente de trabalho no mesmo patamar de importância que a remuneração.

“Esse tipo de vínculo contribui para criar ambientes mais colaborativos, humanos e resilientes. Em mercados cada vez mais competitivos, empresas que favorecem relações interpessoais positivas tendem a apresentar melhores indicadores de clima organizacional, engajamento e retenção. Organizações que antes valorizavam apenas resultados passaram a reconhecer que relações interpessoais saudáveis são fundamentais para sustentar desempenho no longo prazo”, destaca ele.

Nos modelos híbridos e remotos, o impacto do Work Bestie pode ser ainda maior, justamente porque a distância física reduz interações espontâneas e pode gerar sensação de desconexão.

“O desafio das organizações é criar oportunidades para que essas relações surjam naturalmente, já que o ambiente virtual reduz momentos informais, como conversas no café ou encontros presenciais. O risco é formar equipes tecnicamente conectadas, mas emocionalmente distantes. Por isso, muitas empresas vêm repensando seus modelos de gestão para equilibrar flexibilidade e oportunidades de interação humana significativa”, afirma Cardoso.

Armadilhas que devem ser evitadas

Mas nem toda interação deve ser incentivada no ambiente corporativo. É importante estabelecer limites para que essa proximidade entre colaboradores seja saudável, tanto para a empresa quanto para os próprios funcionários. “Amizades fortalecem a cultura organizacional, mas não podem comprometer a imparcialidade profissional. O principal limite é garantir que a relação não gere privilégios, exclusões ou prejudique a tomada de decisões objetivas. Amizades entre líderes e subordinados podem existir, mas exigem maturidade e elevado profissionalismo”, destaca.

As chamadas “panelinhas”, que surgem quando grupos de pessoas criam barreiras para a integração de novatos na empresa, também são um problema.

“As organizações podem estimular relações saudáveis criando ambientes de confiança, promovendo projetos colaborativos, mentorias, espaços de convivência e momentos informais voluntários. A liderança também exerce papel central ao estimular respeito, escuta ativa e cooperação entre equipes. Mas é preciso lembrar que nenhuma dinâmica obrigatória cria amizade verdadeira. Conexões genuínas nascem da convivência e da confiança. Por isso, o mais importante para as empresas é construir uma cultura onde as pessoas sintam-se seguras para serem autênticas. Laços genuínos surgem naturalmente quando existe confiança, propósito compartilhado e experiências positivas no cotidiano de trabalho”, conclui o coordenador da UNIASSELVI.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Negócios
Comentários estão fechados.

Verifique também

Julho Verde: HPV muda perfil do câncer de cabeça e pescoço e acende alerta para aumento de casos entre jovens

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam mais de 41 mil novos casos por …