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Fibromialgia: Sociedade Brasileira de Reumatologia atualiza diretrizes para o tratamento e traz avanços no controle da dor

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A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) publicou as novas Diretrizes Brasileiras para o Tratamento da Fibromialgia, com foco no monitoramento clínico, uso racional dos medicamentos e nas abordagens não farmacológicas. O documento atualiza as recomendações de 2010 e incorpora evidências científicas recentes para qualificar o cuidado de uma das condições reumatológicas mais prevalentes no país.

A fibromialgia afeta entre 2,5% a 3% da população brasileira, sendo a segunda doença reumatológica mais comum, atrás apenas da osteoartrite, e caracteriza-se por dor crônica generalizada, distúrbios do sono, alterações cognitivas e impacto funcional significativo, com elevado custo social e econômico.

“O manejo eficaz da fibromialgia exige uma abordagem interdisciplinar, contínua e centrada no paciente, uma vez que a síndrome está relacionada principalmente a alterações no processamento central da dor e costuma coexistir com quadros como ansiedade e depressão”, afirma Dr. José Eduardo Martinez, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).

As novas diretrizes recomendam o uso de instrumentos validados para avaliar a gravidade da doença e a resposta ao tratamento, destacando ferramentas como o Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQR) e o Fibromyalgia Survey Questionnaire (FSQ), ambos disponíveis em português e amplamente utilizados na prática clínica.

O documento aponta ainda que dor, fadiga e distúrbios do sono são os principais alvos terapêuticos, mas ressalta a importância de considerar também aspectos emocionais, cognitivos, funcionais e metabólicos, como a obesidade, por exemplo.

Entre as estratégias apresentadas com melhor nível de evidência científica, destacam-se a educação do paciente e familiares, considerada fundamental para melhorar adesão ao tratamento, autonomia e qualidade de vida; a realização de exercícios físicos, especialmente programas que combinam atividade aeróbica e treinamento de força, associados à redução da dor e melhora funcional; Terapias psicológicas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), eficazes no controle da dor, do sono e de sintomas emocionais; Técnicas de neuromodulação e Acupuntura, recomendadas para alívio da dor, sobretudo no curto prazo.

Outras práticas complementares como Tai Chi Chuan, exergames (videogames que integram atividade física e exercício corporal), além de aspectos relacionados à espiritualidade e religiosidade, sempre como apoio ao tratamento convencional.

O presidente da SBR, Dr. José Eduardo Martinez, também reforça que o tratamento conduzido por equipes interdisciplinares, envolvendo médicos, fisioterapeutas, psicólogos, educadores físicos, nutricionistas e outros profissionais de saúde, apresenta resultados superiores em qualidade de vida quando comparado ao cuidado exclusivamente médico.

Uso de medicamentos no tratamento da fibromialgia

Em relação ao tratamento farmacológico, é consenso entre os especialistas que os medicamentos têm como objetivo principal aliviar sintomas e melhorar a funcionalidade, já que nenhuma medicação isolada é suficiente para o controle completo da doença. Entre os fármacos com melhor evidência científica estão a amitriptilina, indicada especialmente para dor e distúrbios do sono, a duloxetina, com eficácia moderada no controle da dor, e a pregabalina, que apresenta benefícios na dor, no sono e na qualidade de vida.

As diretrizes apontam que outros antidepressivos, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), bem como a gabapentina, não possuem evidência científica suficiente para recomendação formal. O documento também é enfático ao não recomendar o uso rotineiro de opioides, anti-inflamatórios, canabinoides, benzodiazepínicos e terapias intravenosas, por falta de eficácia comprovada e risco de efeitos adversos.

A SBR destaca que o tratamento da fibromialgia deve ser integrado e centrado no paciente, combinando terapias farmacológicas e não farmacológicas, com acompanhamento contínuo e metas realistas. As novas diretrizes no Brasil.

Elaboradas a partir de revisões sistemáticas, meta-análises e consenso entre especialistas, as novas diretrizes contribuem para padronizar condutas clínicas e qualificar o cuidado oferecido aos portadores de fibromialgia, além de reafirmar o compromisso da SBR com uma prática baseada em evidências científicas, adaptada à realidade brasileira e focada no cuidado integral do paciente.

A fibromialgia é uma doença autoimune?

Não. A Fibromialgia não é uma doença autoimune. Autoimunidade é um termo utilizado para designar um grupo de doenças em que o sistema imunológico (de defesa) ataca o próprio corpo. Quer dizer, o sistema imunológico, responsável por defender o organismo contra bactérias e vírus invasores passa a acreditar que as proteínas das células de diferentes partes do corpo são invasoras e envia células de defesa para atacá-las e isolá-las, destruindo estruturas e causando diferentes sintomas nos pacientes. Dentre a doenças autoimunes estão o Lúpus Eritematoso Sistêmico, a Artrite Reumatoide, a Esclerose Múltipla, o Diabetes tipo 1 e outras.

Quais são os sintomas?

  • Dor generalizada é o principal sintoma e pode estar presente em diversos pontos do corpo;
  • Fadiga como falta de energia e cansaço excessivos, mesmo após dormir muitas horas;
  • Distúrbio do sono reparador ou profundo;
  • Sensação de formigamento em mãos e pés;
  • Dificuldades cognitivas, como problemas para se concentrar por longos períodos de tempo;
  • Ansiedade e ou depressão podem estar associados.
Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

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