Após a pressão feita por cientistas e pelo governo brasileiro, o Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, concordou em devolver o fóssil do dinossauro Irritator challengeri, levado sem autorização da região da Chapada do Araripe, no sertão cearense, há 35 anos. A peça está desde 1991 no museu, que se recusava a devolvê-lo.
O anúncio oficial do Ministério das Relações Exteriores saiu em declaração conjunta com Alemanha no último dia 20 de abril, após visita do presidente Lula.
“Nesse contexto, ambos os governos acolhem com satisfação a disposição do Estado de Baden-Württemberg e do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart em retornar o fóssil de Irritator challengeri ao Brasil”, diz o texto.
A devolução foi celebrada pela Sociedade Brasileira de Paleontologia, que salientou a importância das movimentações dos pesquisadores do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (URCA), da Universidade Federal do Piauí (UFPI), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
“A Sociedade Brasileira de Paleontologia celebra com grande alegria e profundo significado a restituição ao Brasil do holótipo do dinossauro Irritator challengeri, marco histórico que transcende o campo científico e reafirma valores fundamentais das relações internacionais contemporâneas”, celebrou a entidade.
Como todo fóssil encontrado em território nacional, o exemplar é considerado patrimônio cultural brasileiro, conforme estabelece a Constituição, e não pode ser retirado sem autorização. A Chapada do Araripe é o maior sítio paleontológico do país e uma das mais ricas em fósseis do planeta, reconhecida como o primeiro geoparque das Américas pela Unesco.
Ainda serão definidas a data e a forma de devolução, além do local onde ele ficará.

