Home Saúde Tratamento no SUS reduz mortalidade em casos de Síndrome de Transfusão Feto-fetal (STFF)

Tratamento no SUS reduz mortalidade em casos de Síndrome de Transfusão Feto-fetal (STFF)

6 min read
0
0
192

A realização de uma cirurgia fetal minimamente invasiva pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tem ampliado para até 90% as chances de sobrevivência de bebês diagnosticados com uma condição rara que afeta gestações gemelares. A técnica, realizada na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac), da Universidade Federal do Ceará (UFC) e vinculada ao HU Brasil, vem consolidando a unidade como referência no tratamento da Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF).

A técnica, considerada padrão-ouro no tratamento da síndrome, consiste em uma intervenção a laser que interrompe conexões vasculares anormais na placenta. Essas ligações, chamadas de anastomoses, provocam um desequilíbrio no fluxo sanguíneo entre os fetos em gestações monocoriônicas, que é quando gêmeos idênticos compartilham a mesma placenta.

De acordo com o coordenador do Serviço de Medicina e Cirurgia Fetal da Meac, Herlânio Carvalho, a STFF atinge cerca de 15% dessas gestações. Sem tratamento, a condição pode levar à morte de até 85% dos fetos.

“A condição é causada por conexões vasculares anormais (anastomoses) na placenta, que criam um desequilíbrio no fluxo sanguíneo: um bebê (doador) passa sangue continuamente para o outro (receptor). Sem tratamento, a taxa de mortalidade pode chegar a 85% para ambos os fetos”, explica.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

As consequências clínicas diferem entre os fetos. O chamado doador tende a apresentar anemia, redução do volume sanguíneo e diminuição da produção de urina, o que resulta em baixa quantidade de líquido amniótico. Já o receptor recebe sangue em excesso, o que pode sobrecarregar o coração e evoluir para insuficiência cardíaca, além de provocar polidrâmnio, que é o aumento excessivo do líquido amniótico, associado ao risco de parto prematuro.

Com a cirurgia fetal, realizada por meio de laser, é possível separar a circulação sanguínea dos gêmeos, interrompendo o desequilíbrio. Segundo especialistas, o procedimento garante entre 80% e 90% de chance de sobrevivência para pelo menos um dos bebês e de 60% a 70% para ambos.

O diagnóstico da síndrome é feito por ultrassonografia, principalmente entre a 16ª e a 26ª semana de gestação, período considerado mais crítico. A detecção precoce e o encaminhamento imediato para centros especializados são fatores decisivos para o sucesso do tratamento.

Para o gerente de Atenção à Saúde da Meac, Edson Lucena, a atuação da unidade reforça a importância da medicina fetal de alta complexidade no SUS. Segundo ele, a intervenção altera o curso natural de uma condição grave e amplia as chances de sobrevida.

“Trata-se de uma intervenção capaz de modificar o curso natural de uma doença grave da gestação e ampliar as chances de sobrevida desses bebês. A experiência fortalece o papel da Meac na assistência, ensino e pesquisa em medicina fetal, além de contribuir para a expansão de programas especializados no cuidado de gestações de alto risco no Brasil”, declara.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Saúde
Comentários estão fechados.

Verifique também

Dor de cabeça no fim do dia pode estar vindo dos olhos? Saiba quando investigar a visão

Depois de horas no computador é comum sentir peso ao redor dos olhos, visão embaçada e dif…