A pureza de crianças brincando livremente o Carnaval ilumina os olhares e as lembranças do momento. Por outro lado, as famílias, a sociedade e o poder público devem ficar muito mais atentos com o avanço de violações contra os pequenos nesse período.
O alerta é do presidente do ChildFund Brasil, Maurício Cunha, pesquisador em políticas públicas para a infância, que chama atenção para o aumento de violações de direitos nesse período.
Conforme dados do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, mais de 26 mil denúncias de suspeitas de crimes contra crianças e adolescentes foram durante o carnaval de 2024 — alta de 38% em relação ao ano anterior.
Entre os principais riscos apontados estão erotização precoce, desaparecimentos em meio a grandes aglomerações, trabalho infantil e exploração sexual. Cunha também destaca o avanço das ameaças no ambiente digital.
Pesquisa do ChildFund com mais de 8 mil adolescentes de 13 a 18 anos revelou que 54% já sofreram algum tipo de violência sexual online. Além disso, o estudo também mostra que apenas cerca de 35% dos adolescentes têm supervisão parental no uso da internet.
O especialista orienta que famílias evitem publicar fotos e vídeos de crianças nas redes sociais. Também devem desativar a localização dos aparelhos e utilizem ferramentas como controle parental e restrição de mensagens de desconhecidos.
Ele reforça que a responsabilidade pela proteção é compartilhada entre família, sociedade e poder público. Todo cidadão pode denunciar de forma gratuita e anônima pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia.
Haverá um debate sobre o tema nesta quinta-feira (12/02), às 10h, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado. A sessão discutirá os riscos enfrentados por crianças e adolescentes durante o carnaval.

