Home Geral RH sob pressão: empresas buscam apoio externo para lidar com demandas emocionais

RH sob pressão: empresas buscam apoio externo para lidar com demandas emocionais

4 min read
0
0
1,796

Em um cenário corporativo marcado por instabilidade e cobranças crescentes, quem deveria zelar pelo bem-estar emocional das equipes tem enfrentado suas próprias crises. Segundo pesquisas da Recarrega RH, conduzida pela Flash, o setor segue adoecendo sob o peso da sobrecarga e da falta de apoio institucional.

De acordo com o levantamento, 78% dos profissionais de RH relatam sentir sobrecarga de média a extrema intensidade em 2025 — um número ligeiramente inferior ao registrado em 2024 (82%), mas ainda preocupante. A pressão está associada principalmente às longas jornadas de trabalho, que em muitos casos ultrapassam dez horas diárias. Esses dados evidenciam que até mesmo os profissionais responsáveis pelo bem-estar organizacional estão sendo impactados por ambientes corporativos tóxicos.

 Para a psicóloga Fernanda Macedo, diretora da consultoria Life DH, o resultado reflete um desequilíbrio estrutural nas relações de trabalho. “O RH muitas vezes é visto como o setor responsável por cuidar da saúde emocional dos outros, mas raramente recebe o mesmo tipo de cuidado da organização”, avalia. Segundo ela, a falta de espaços de escuta e de estratégias institucionais de apoio tem levado muitos profissionais da área a buscar ajuda externa, seja em grupos terapêuticos, seja em programas de desenvolvimento emocional.

Foto: Divulgação

A nova atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), prevista para entrar em vigor em 2026, é apontada como uma possível fonte de alívio para os profissionais de RH. Cerca de 90% deles acreditam que a mudança trará impactos positivos para a saúde mental, ao conferir maior respaldo institucional às ações de bem-estar e contribuir para a redução da sobrecarga no ambiente de trabalho. A atualização da norma reforça o compromisso com ambientes corporativos mais seguros e saudáveis, fortalecendo a priorização da saúde mental dos colaboradores.

Para Fernanda Macedo, no entanto, a transformação não depende apenas da legislação. “As empresas precisam reconhecer que cuidar de quem cuida é uma questão de sustentabilidade humana. Enquanto o RH continuar atuando sob pressão constante, qualquer iniciativa de saúde mental será apenas paliativa”, afirma.

Com a crescente demanda emocional dentro das organizações, cresce também o movimento de empresas que buscam apoio externo especializado para desenvolver políticas de cuidado mais efetivas. A tendência é que o bem-estar corporativo deixe de ser um tema pouco comentado e passe a ocupar espaço estratégico nas decisões de gestão, começando por quem sustenta o equilíbrio interno: os próprios profissionais de Recursos Humanos.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Geral
Comentários estão fechados.

Verifique também

Sete em cada dez mulheres relatam já terem sofrido assédio, diz estudo

Sete em cada dez mulheres dizem já ter sofrido assédio moral ou sexual, principalmente em …