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Programa do Museu da Imagem e do Som é selecionado para congresso latino-americano sobre arquivos trans

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A experiência do programa “Trair o CIStema”, realizado pelo MIS desde 2023 desenvolvendo ações para valorização e protagonismo de pessoas trans, travestis e não-binárias, será apresentada nesta quinta-feira (5) em mesa durante o 1º Congresso Latino-Americano de Arquivos Trans.

A iniciativa acontece de forma virtual, a partir das 11h (horário local), e para assistir é necessário realizar inscrição aqui, que poderá ser feita nos dias 4 e 5 de setembro. Durante a mesa, será relatado o projeto do Ateliê de Criação Tecnologias Transvestigêneres, realizado em 2023.

A segunda edição do Ateliê acontece ainda em 2024 e está com inscrições abertas até dia 10 de setembro. O MIS integra a Rede Pública de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, com gestão parceira do Instituto Mirante de Cultura e Arte.

1º Congresso Latino-Americano de Arquivos Trans

Organizado pelo Arquivo da Memoria Trans Argentina (AR) e pelo Museu Bajubá (BR), o Congresso tem como objetivo principal reunir especialistas, ativistas, acadêmicos e membros da comunidade trans de toda a América Latina para discutir, compartilhar e promover a divulgação e a preservação da memória trans.

O evento é destinado a ativistas, pesquisadores, arquivistas da comunidade trans, que estejam desenvolvendo ou queiram administrar um arquivo trans. Durante o evento serão explorados temas como a história transregional, a documentação de experiências e o papel dos arquivos na promoção da justiça social e dos direitos humanos.

Além de conferências para apresentação de projetos, o congresso incluirá oficinas sobre conservação, pesquisa, estratégias de acesso e divulgação em arquivos. O Congresso será um espaço para aprender uns com os outros, compartilhar experiências e fortalecer a comunidade de arquivos trans na América Latina.

O MIS integra a programação do 1º Congresso Latino-americano de Arquivos Trans apresentando um trabalho que se debruça sobre a primeira experiência do Ateliê de Criação Tecnologias Transvestigêneres, processo de formação artística desenvolvido pelo programa Trair o CIStema.

O programa integra a programação junto a trabalhos de países como Chile, Peru, México, Costa Rica, República Dominicana e Honduras, sendo o único representante do Brasil para além do Museu Bajubá. Confira aqui a programação completa do evento.

Programa Trair o CIStema

Trair o CIStema é um programa do Museu da Imagem e do Som do Ceará que teve início em janeiro de 2023 e que tem como objetivo a promoção de criações artísticas, ações educativas e de pesquisa desenvolvidas por pessoas trans, travestis e não bináries. Atualmente, o programa é conduzido pelas educadoras trans Aires, Garu Pirani e Romã.

No Congresso, as educadoras irão apresentar a experiência do Ateliê de Criação – Tecnologias Transvestigêneres e a publicação gerada a partir desse processo, gerando arquivos dessa experiência transcentrada.

O Ateliê de Criação – Tecnologias Transvestigêneres teve sua primeira edição em 2023 e contou com 10 pessoas bolsistas pesquisadoras, com pesquisas que investigavam as relações entre arte, tecnologia e questões urgentes na contemporaneidade. Como resultado desse processo, foi criada a instalação audiovisual imersiva “fragmento – KYMERA”, que hoje integra o acervo do MIS CE, e uma publicação digital que acompanha o processo.

Foto: Ascom MIS

Edital do Ateliê de Criação – Tecnologias Transvestigêneres 2024: últimos dias de inscrição

A segunda edição do Ateliê de Criação – Tecnologias Transvestigêneres acontece ainda em 2024, e está com inscrições abertas até dia 10 de setembro. Essa é uma seleção exclusiva para pessoas trans, travestis e não-binárias que proponham diálogos entre os campos da arte e da tecnologia. As inscrições devem ser feitas pela internet, na plataforma Mapa Cultural do Ceará.

Serão selecionadas 10 pessoas, e cada uma receberá uma bolsa no valor total de R$3.600,00, a ser paga em três parcelas de R$1.200,00, concedidas entre os meses de realização da residência (outubro a dezembro). Ao final, será produzida uma obra coletiva.

Dentro da política pública de ações afirmativas seguida pelo MIS, 30% das vagas serão reservadas para pessoas que se autodeclaram negras pretas ou negras pardas, 20% para indígenas ou quilombolas e 20% destinados a pessoas com deficiência. O edital também prevê bonificação na pontuação para pessoas residentes em comunidades de áreas de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano e para pessoas com baixa renda.

A busca pelo direito primordial: o direito de existir

É fundamental enfatizar que o Brasil ocupa há 15 anos o primeiro lugar em relação à mortalidade de pessoas trans, travestis e não-binárias. Diante desta estatística alarmante, o MIS-CE entende ser parte de sua missão, enquanto instituição pública de cultura, promover iniciativas para fortalecer a luta por direitos civis, especialmente a luta pelo direito primordial de todo ser humano: o direito de existir.

Esta ação inédita e histórica do edital do Ateliê de Criação Tecnologias Transvestigêneres busca contribuir para a promoção de políticas públicas no campo cultural, como estratégias educativas, que possam contribuir para a redução do número de violências contra pessoas trans, travestis e não-binárias no Ceará e no Brasil.

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