Finalizada a quadra chuvosa de 2024, o cenário nos reservatórios do Ceará é melhor se comparado à situação dos anos anteriores. O volume atual de 10,54 bilhões de metros cúbicos (56% da capacidade total), distribuídos em 157 reservatórios estratégicos monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), é a maior reserva hídrica armazenada desde 2012.
O volume total é reflexo dos bons aportes nas bacias hidrográficas do Estado. As regiões do Acaraú, Coreaú, Litoral, Metropolitana, Serra da Ibiapaba, Salgado e Baixo Jaguaribe estão em situação “muito confortável”, com volumes acima de 70%, com destaque para o Baixo Jaguaribe e Litoral que registram 100% de seu armazenamento.
A região do Curu recebeu uma recuperação significativa. No início deste ano, antes do início da quadra chuvosa, a bacia estava com 26% da capacidade total. Hoje se encontra com 66% de
reservas hídricas acumuladas, numa situação confortável.
77 açudes sangraram na quadra chuvosa de 2024
Durante a quadra chuvosa de 2024 o Ceará registrou a sangria de 77 açudes, número que não se via desde 2009, quando sangraram 111.
Regiões em alerta
Apesar desses avanços, a realidade na bacia hidrográfica dos Sertões de Crateús contrasta com menos de 25% de sua capacidade hídrica acumulada. Outros 20 reservatórios do Ceará apresentam volumes abaixo de 30% de sua capacidade, “destacando os desafios persistentes impostos pelo clima semiárido da região, com chuvas distribuídas de forma irregular no tempo e espaço”, conforme destacou Tércio Tavares, diretor de Operações da Cogerh.
Castanhão, Orós e Banabuiú

Os três maiores açudes cearenses atingiram bons aportes, registrando os maiores níveis dos últimos anos. O Açude Orós, por exemplo, chegou a 4,7% no começo de 2020. Agora, já se encontra com 74%. O Açude Banabuiú chegou a estar praticamente seco entre 2015 e 2018.
No começo deste ano o reservatório registrava hoje, 42%. Já o Gigante Castanhão, que chegou a marcar 2,1% de volume em 2018, agora bate 36%, maior percentual desde 2014. Pelo quinto ano seguido, o Castanhão não mandará água para a região metropolitana de Fortaleza, devido ao bom volume acumulado nos açudes Pacoti, Pacajus Riachão e Gavião, que abastecem a RMF.
Uso Responsável da água e Operação dos Reservatórios
Mesmo com a boa perspectiva, é necessário prudência, visto que o Ceará fica em uma região semiárida.

“Nem sempre chuva resulta em aportes. As chuvas, mesmo na média ou até acima da média, carecem de constância e precisam cair no lugar certo para gerar escoamento e, consequentemente, aportes”, ensina Yuri Castro.
Dentro da política de Recursos Hídricos, o Estado, através da Cogerh, planeja a operação dos seus reservatórios de acordo com os volumes registrados ao fim da quadra chuvosa. Para isso, são feitas reuniões com os colegiados dos Comitês de Bacias e realizadas simulações dos cenários de uso da água em cada região do Ceará, são as chamadas alocações negociadas de águas, realizadas de forma participativa com representações da sociedade.

