O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu ministros e o comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno na manhã desta segunda-feira (30) para montar uma força-tarefa na defesa do povo indígena Yanomami, .
Além do comandante da FAB, participaram da reunião o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, além de Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Silvio Almeida (Direitos Humanos), o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, e a futura Presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), deputada federal Joenia Wapichana.
Em entrevista ao Fórum Café nessa segunda-feira (30), a pesquisadora Iraildes Caldas Torres, Diretora do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e especialista na cultura Yanomami, afirmou que o número de garimpeiros na região pode chegar a 70 mil – mais de três vezes o número de Yanomami, que tem uma população estimada em 20 mil indígenas.
Força-tarefa
Neste domingo (29), Lula divulgou um vídeo sobre o que viu no território Yanomami durante sua visita. “A tragédia com o povo Yanomami poderia ter sido evitada. O atual governo vai honrar o compromisso de cuidar e respeitar os indígenas. As ações emergenciais já estão em curso”, escreveu na publicação.
Após a decretação de emergência de saúde pública, Lula criou o Comitê de Coordenação Nacional para discutir e adotar medidas em articulação entre os poderes para prestar atendimento a essa população. O plano de ação deve ser apresentado no prazo de 45 dias, e o comitê trabalhará por 90 dias, prazo que pode ser prorrogado.
O secretário de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde Weibe Tapeba, que ficou em Roraima e embarcou para Surucucu, disse que as equipes estavam fazendo uma verdadeira operação de guerra para resgatar os doentes.
Na primeira semana, ao menos mil indígenas foram resgatados e atendidos. Na segunda-feira (23), 12 profissionais da saúde, vinculados à Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), chegaram a Roraima para reforçar os atendimentos na Casa de Saúde Indígena (Casai), unidade que enfrentava superlotação: havia 715 indígenas internados, o dobro da capacidade de 300 vagas.
Novas imagens divulgadas em reportagem de Sônia Bridi e Paulo Zero no Fantástico voltaram a chocar o povo brasileiro. Eles viram de perto a distribuição de remédios e alimentos – e mostraram o resgate de mulheres e crianças doentes.
De acordo com a reportagem, o maior problema está na parte Norte, onde está a maior concentração de garimpo no Território Yanomami e onde, neste momento, estão dos pelotões especiais de fronteira do Exército.
O garimpo avançou por dezenas de quilômetros na região do Homoxi a partir de 2017. A pista da Sesai foi tomada pelos garimpeiros, que expulsaram a equipe de saúde e usaram o posto como depósito de combustível.
Em 2022, policiais federais estiveram lá e destruíram máquinas do garimpo. Os garimpeiros, em represália, botaram fogo no posto de saúde.

