O trabalho remoto ganhou força durante a pandemia de covid-19 e estabeleceu-se como uma realidade permanente para quase metade dos advogados brasileiros. No país, 43% desses profissionais trabalham em regime de Home office. Entre os entre os autônomos, a modalidade já é adotada pela maioria (51%).
Os dados foram publicados no 1º Estudo sobre o Perfil Demográfico da Advocacia Brasileira (PerfilADV), iniciativa conduzida pelo Conselho Federal da OAB (CFOAB) em parceria com o Centro de Inovação, Administração e Pesquisa do Judiciário da FGV.
De acordo com a pesquisa, a prevalência do home office entre advogados que trabalham em empresas ou escritórios privados é de 21%, enquanto 12% dos que exercem cargos públicos optam por essa modalidade. Regionalmente, o Sul lidera com 48% dos advogados trabalhando em regime de home office e 40% em escritórios de advocacia.
A região Norte tem a menor porcentagem, com 32% contra 51%. O Nordeste vem em segundo lugar, com 42% de advogados em home office e 43% atuando no modelo tradicional. No Sudeste, a modalidade remota representa 34%, e os escritórios 56%.
Coworking é tendência
A tendência levou a OAB a se manifestar em junho deste ano. Durante sessão do Órgão Especial, foi aprovada uma consulta sobre a possibilidade do exercício da advocacia em escritórios compartilhados. Na ocasião, os conselheiros federais concordaram que o coworking é um novo modelo de trabalho que pode ser adotado pela classe. O Estatuto da Advocacia já havia sido atualizado por meio da lei 14.365 de 2022, tornando possível o local de trabalho de uso compartilhado entre advogados ou sociedade.
Matheus Brito, sócio-diretor da Unijuris, coworking de nicho para advogados em Fortaleza, ressalta a importância dessa decisão diante da busca crescente por soluções compartilhadas. “Recebemos com muita motivação esse comentário na reunião da OAB. Realmente, observamos um crescimento na procura de advogados pelos escritórios inteligentes”.
Ele ainda enfatiza a adoção do coworking como um movimento que gera impacto positivo nos relacionamentos e nos rendimentos dos operadores do direito. “Além de ser tendência, é uma excelente opção para gerar mais network e um modelo de trabalho que gera menos custos para os advogados. Aqui na Unijuris, procuramos oferecer escritórios completos e com serviços adicionais, para que o advogado tenha o melhor custo-benefício”, ressaltou Matheus Brito.
Garantia de sigilo
O Estatuto da Advocacia foi atualizado por meio da lei 14.365 de 2022. A legislação passou a permitir que advogados compartilhem espaços de trabalho, desde que garantam a preservação do sigilo e confidencialidade na comunicação com seus clientes, seja em reuniões, chamadas telefônicas, videoconferências, ou na manipulação de documentação digital ou física.
A inserção do parágrafo 12 ao art. 15 diz: “A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia podem ter como sede, filial ou local de trabalho espaço de uso individual ou compartilhado com outros escritórios de advocacia ou empresas, desde que respeitadas as hipóteses de sigilo previstas nesta Lei e no Código de Ética e Disciplina.”
O que é coworking?
Coworking é um modelo de trabalho onde profissionais de diferentes áreas compartilham um espaço comum para realizar suas atividades. Esses espaços são equipados com infraestrutura de escritório, como internet, impressoras e salas de reunião, e promovem um ambiente colaborativo e flexível.
O coworking é especialmente popular entre freelancers, startups e pequenas empresas, pois oferece uma alternativa econômica e dinâmica ao aluguel de escritórios tradicionais, além de proporcionar oportunidades de networking e troca de conhecimentos entre os membros.

