Quatro em cada dez brasileiros vão comprar brinquedos como presente neste Dia das Crianças, diz levantamento do Instituto Locomotiva que ouviu 1.500 brasileiros nas cinco regiões.
O valor médio gasto deve ficar em torno de R$ 200 na data, que promete ser a mais movimentada dos últimos dez anos, com volume de negócios de cerca de R$ 10 bilhões, estima a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
A reportagem traz um guia de como escolher o melhor brinquedo para comprar. Especialistas afirmam que é preciso levar em conta fatores como adequação à faixa etária, segurança, impacto no desenvolvimento e preço. O brinquedo ideal, afirmam, é aquele que além de divertir contribui para o crescimento.
A psicóloga Brunna Dolgosky, especializada em arteterapia, explica que brincar é um dos pilares do desenvolvimento infantil. Segundo ela, é por meio da brincadeira que a criança expressa emoções, organiza pensamentos e elabora situações internas que muitas vezes não consegue verbalizar.
“Brincar fortalece habilidades cognitivas, como atenção e memória, e competências socioemocionais, como empatia, cooperação e resolução de conflitos. Além disso, contribui para a autoestima, a construção de memórias afetivas e a saúde mental”, afirma.
Na hora da compra, diz, o principal a se considerar é o impacto do brinquedo no desenvolvimento da criança, por isso, a faixa etária é muito importante. Ela diz que não há idade na qual se para de brincar, as brincadeiras apenas mudam, e mesmo adolescentes e adultos se movimentam em torno de fatores lúdicos que podem ajudar a elaborar questões da existência.
A especialista afirma que o brincar acompanha o ser humano em todas as fases da vida, embora o “brinquedo” mude. “Na infância, o brinquedo concreto é essencial, e na adolescência, o brincar pode aparecer em jogos, esportes e atividades criativas. Na vida adulta, manifesta-se em hobbies e expressões artísticas”, diz.
Elizete Fernandes, diretora de fiscalização do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo( Ipem-SP ), afirma que a segurança é fundamental. Segundo ela, é necessário verificar se o produto possui o selo do Instituto de Pesos e Medidas (Inmetro), assegurando que o brinquedo foi testado conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Também é necessário observar a faixa etária indicada, checar se há instruções de uso e informações sobre o fabricante ou importador, e evitar brinquedos com peças pequenas para crianças menores de três anos, por risco de engasgo.
O Ipem-SP realiza ações periódicas de fiscalização e, em caso de irregularidades, os produtos são retirados do mercado e os responsáveis, autuados. Neste ano, foram fiscalizados 115.080 brinquedos, dos quais 112.119 foram considerados regulares e 2.961, irregulares.
A faixa etária da criança é um critério essencial na escolha do brinquedo. Para crianças de zero a três anos, os brinquedos devem ser grandes, atóxicos e sem partes destacáveis. Entre três e seis anos, são indicados brinquedos mais interativos, com estímulos visuais e sonoros. A partir dos seis, jogos com regras e mecanismos mais complexos já podem ser introduzidos, sempre respeitando a indicação do fabricante.
As orientação do Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de SP (Procon-SP) são escolher produtos certificados, seguros e adequados à idade da criança. O órgão alerta ainda para os preços e para cuidados nas compras online.
É essencial verificar se o site é confiável, se possui CNPJ, endereço físico e informações claras sobre o produto, como composição, valor, forma de pagamento e política de troca. O consumidor também tem o direito de se arrepender e cancelar a compra em até sete dias após o recebimento do produto.
Pesquisa do órgão realizada em setembro aponta variação de até 239% nos preços de brinquedos entre diferentes lojas e plataformas de ecommerce. Foram avaliados 81 itens entre bonecos, jogos e massas de modelar em sites e lojas como Amazon, Magazine Luiza e Ri Happy, entre outros.
Veja como escolher brinquedos no Dia das Crianças.
O que levar em consideração na hora da compra?
Antes de escolher um brinquedo, verifique:
– Selo do Inmetro: garante que o produto passou por testes de segurança;
– Faixa etária indicada: deve estar claramente especificada na embalagem;
– Informações do fabricante/importador: nome, CNPJ, endereço e instruções de uso;
– Peças pequenas: evite para crianças menores de três anos -risco de engasgo;
– Local de compra confiável: prefira lojas que emitem nota fiscal.
Qual a importância da faixa etária e das principais recomendações por idade?
Cada idade exige características específicas nos brinquedos. Veja as principais recomendações:
Faixa etária – Como o brinquedo deve ser
– 0 a 3 anos – Brinquedos grandes, sem peças pequenas, atóxicos e resistentes;
– 3 a 6 anos – Brinquedos interativos, com sons, formas, mas ainda seguros;
– 6 anos ou mais – Jogos, peças de montar e brinquedos com mais complexidade.
Como identificar as características de um bom brinquedo?
Um bom brinquedo deve:
– Estimular a criatividade e autonomia;
– Fortalecer os vínculos afetivos com adultos;
– Ser seguro e apropriado à idade;
– Promover o brincar ativo, como blocos, massinhas e tintas.
Qual a importância do brincar no desenvolvimento infantil?
A psicóloga Brunna Dolgosky destaca que brincar é essencial ao desenvolvimento infantil, porque auxilia na expressão emocional, na construção de habilidades cognitivas e socioemocionais e na saúde mental da criança. O ato de brincar deve ser incentivado em todas as idades, com brinquedos e atividades adequadas a cada fase.
Como os brinquedos são testados?
Os brinquedos devem seguir normas da ABNT, com testes exigidos pelo Inmetro e realizados em laboratórios credenciados. Os testes avaliam:
– Riscos físicos e mecânicos (pontas, partes móveis, resistência);
– Inflamabilidade (se o material pega fogo facilmente);
– Presença de substâncias tóxicas, como metais pesados;
– Perigo de asfixia por peças pequenas;.
– Adequação à faixa etária
O Ipem-SP fiscaliza os produtos brinquedos disponíveis no mercado e pode apreender o que estiver irregular.
Quais são as principais recomendações do Procon?
Os consumidores devem pesquisar bem antes de escolher um brinquedo. Pesquisa de preço realizada em setembro em 81 lojas físicas e online de grandes varejistas identificou que valores podem variar até 239% em lojas físicas e online.
Em todas as compras o consumidor deve:
- Verificar o selo do Inmetro
- Conferir se o produto é adequado à idade e ao interesse da criança
- Preferir brinquedos que estimulem a criatividade e socialização
Nas compras online
- Compre apenas em sites seguros, com cadeado na barra de endereço
- Confira CNPJ, telefone e endereço físico da loja
- Exija informações claras sobre o produto, como preço, garantia, composição, etc.
- Consulte a política de trocas e devoluções
- Guarde comprovantes da compra
- Fique atento ao direito de arrependimento: para compras online, o consumidor pode cancelar a compra em até 7 dias após o recebimento do item.
Fonte: Folhapress

