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Paralisia infantil: vacinação é o único meio eficaz de prevenir a doença

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A médica pediatra Fernanda Peixoto foi diagnosticada com poliomielite aos 13 meses. Embora tenha lidado com limitações físicas desde a infância, ela conseguiu superar as adversidades e aproveitar a vida. Em sua trajetória, Fernanda fez de tudo um pouco e, hoje, em sua profissão, reforça a importância da vacinação e como essa medida preventiva pode salvar vidas.

Por ser muito pequena, à época, Fernanda não se lembra do momento em que foi diagnosticada, mas os familiares relatam sintomas como febres altas e uma paralisia que afetou todo seu corpo do pescoço para baixo. O tratamento envolveu realizar muitas sessões de fisioterapia e repouso. Essas medidas foram cruciais para uma recuperação parcial.

A médica enfrentou as sequelas da poliomielite com determinação. Com deficiência física nas pernas, sua mãe nunca permitiu que a condição limitasse sua vida. “Minha mãe nunca permitiu que ninguém fizesse nada por mim”, relata. Essa atitude a incentivou a ser independente, permitindo que ela realizasse sonhos como dirigir, casar-se, ter os três filhos e formar-se em medicina.

Hoje, ela convive com a síndrome pós-pólio (SPP), uma desordem neurológica que acomete pessoas por volta dos 40 anos que, pelo menos 15 anos antes, foram infectadas pelo vírus da poliomielite. A principal característica da síndrome é a perda das funções musculares que tinham permanecido estabilizadas no intervalo entre a recuperação e o aparecimento dos novos sintomas. Apesar das dificuldades, que vêm afetando sua força física nos últimos 15 anos, Fernanda diz que continua a exercer a profissão com paixão. Ela destaca que, mais do que sua experiência pessoal, sua visão sobre a vacinação foi moldada por sua carreira médica, onde testemunhou a gravidade de doenças preveníveis por vacina.

Prevenção contra a doença

A vacina contra a poliomielite está prevista no Calendário de Vacinação Infantil – Foto: Kelly Garcia/Seduc

A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é causada pelos poliovírus dos sorotipos 1, 2 e 3. Graças às campanhas de vacinação, os tipos 2 e 3 foram declarados erradicados pela Organização Mundial de Saúde em 2015 e 2019, respectivamente. No entanto, o poliovírus selvagem tipo 1 ainda circula. Segundo o pediatra e infectologista do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), Robério Leite, a transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral e, menos comumente, por secreções orais.

“A vacinação é a única maneira eficaz de prevenir a poliomielite, evitando sequelas permanentes como limitação de movimentos e comprometimento respiratório. Atualmente, apenas Paquistão e Afeganistão registram casos do vírus selvagem, mas a mobilidade global e desastres naturais aumentam o risco de reintrodução do vírus. Recentemente, o poliovírus foi encontrado em esgotos de Nova Iorque, Londres e Campinas (SP), destacando a necessidade de manter alta a cobertura vacinal”, explica.

Combate à hesitação

Foto: John Moura/Sesa

O Ceará se destaca com uma cobertura vacinal próxima da meta de 95%. Mas para que os índices continuem bons e o vírus continue sem circular, é necessário continuar a vacinar as crianças menores de cinco anos de idade. O infectologista diz que é essencial disseminar as informações corretas sobre vacinação.

“Existe um fenômeno chamado de hesitação vacinal, exacerbado pela disseminação de notícias falsas. É necessário combater isso com informações validadas e manter altas as taxas de cobertura vacinal para prevenir a reintrodução do poliovírus“, alerta.

A vacina contra a poliomielite está prevista no Calendário de Vacinação Infantil. No estado, a campanha de incentivo iniciou de forma antecipada no último dia 25 de maio e segue até 14 de junho.

Desde 2016, o esquema vacinal contra a doença passou a ser composto por três doses da vacina injetável (VIP) aos 2, 4 e 6 meses de vida, além de duas doses de reforço com a vacina oral bivalente (VOP), conhecida popularmente como gotinha.

Processo de detecção da doença

De acordo com o infectologista Robério Leite, quando há suspeita de um caso de poliomielite, que se manifesta geralmente como uma paralisia flácida aguda em um membro, inicia-se o processo de investigação.

“O profissional de saúde deve notificar o caso à Secretaria Municipal de Saúde dentro de 48 horas, preenchendo um formulário específico com informações clínicas e epidemiológicas. Para confirmar o diagnóstico, é necessário coletar amostras de fezes até o 14º dia após o início do déficit motor. Essas amostras são enviadas para o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) para pesquisa de poliovírus”, explica.

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