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Neuromielite Óptica: HGF é referência no tratamento da doença rara que pode levar à cegueira

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Visão turva, dor intensa nos olhos, perda de visão, fraqueza muscular dos membros, perda de sensibilidade e do controle dos esfíncteres, náuseas, vômitos, soluços persistentes por mais de dois dias e sonolência excessiva estão entre os sintomas da Distúrbio do Espectro da Neuromielite Óptica.

“É uma condição extremamente grave e devastadora. Sem diagnóstico, pode levar a pessoa a evoluir para a cegueira completa ou paralisia rapidamente”, destaca a neurologista do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), Milena Pitombeira, sobre a doença.

Considerada rara, a doença autoimune provoca surtos graves e recorrentes no sistema nervoso central, que podem resultar em incapacidades irreversíveis.  “Os indícios podem variar de acordo com a área afetada do sistema nervoso central”, explica a neurologista.

Com causa ainda desconhecida, a neuromielite óptica pode se manifestar após uma infecção ou estar associada a outra patologia autoimune. No HGF, equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) reconhecido como Centro de Atenção Especializada em Doenças Raras, aproximadamente 110 pacientes com a condição recebem assistência no serviço de Neurologia. O atendimento é agendado via Central de Regulação.

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado no histórico detalhado do paciente com avaliação clínica, na qual são analisadas, além do exame específico de sangue, a presença de sintoma ocular, neurite transversa (inflamação na medula espinhal em toda sua largura) e vômitos e soluços incessantes.

“Por ser um Centro Especializado em Doenças Raras, o HGF dispõe do teste sanguíneo, o anti-AQP4-IgG, considerado uma das formas mais confiáveis para diagnosticar a doença”, esclarece Pitombeira.

Apesar da importância do diagnóstico precoce para o controle da doença, o desconhecimento ainda é a principal barreira. “[A doença] Pode ser muitas vezes não detectada porque alguns sintomas se assemelham a outras condições, como a Esclerose Múltipla, por exemplo”, explica a neurologista.

Acompanhamento especializado

Neuro-oftalmologista do HGF, Matheus Rossi aponta a importância do acompanhamento especializado para as pessoas com a condição rara, destacando a necessidade de exames específicos, como a tomografia de coerência (OCT), que avalia o funcionamento do olho, da retina e do nervo óptico.

“Pessoas com essa condição podem ter perda dessa região do olho e o exame pode ajudar até a prever o prognóstico, a recuperação visual e como o paciente vai se comportar”, ressalta o médico.

“Tem pacientes que ficam com sequelas mais graves, mas hoje em dia, com esses tratamentos, a gente tem uma chance melhor de recuperação e até o retorno de uma visão muito funcional para fazer as coisas do dia a dia”, complementa.

Os pacientes de neuromielite óptica são atendidos por equipes multidisciplinares dos serviços de Neurologia, Oftalmologia e do Centro de Infusão do HGF – Foto: Suzana Mont’Alverne/Ascom HGF

Apesar dos avanços no tratamento da doença, a neurologista Milena Pitombeira explica que ainda não há medicações formalmente aprovadas e liberadas no Brasil, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para tratar a condição.

“São utilizadas medicações imunossupressoras (que alteram a imunidade da pessoa) para controle da doença”, pontua a neurologista. De acordo com a médica, até 2019, não havia sequer abordagens terapêuticas medicamentosas e o tratamento era baseado em acompanhamento com fisioterapia.

No HGF, os pacientes são atendidos no Ambulatório de Neuromielite Óptica, que funciona às quartas-feiras pela manhã. No espaço, eles contam com suporte de uma equipe multidisciplinar formada por médicos neurologistas, médico fisiatra, fisioterapeuta, fonoaudióloga, nutricionista, enfermeiros, neuropsicólogo e odontólogo. Há ainda apoio dos serviços de Oftalmologia e Centro de Infusão.

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