Está em cartaz no Museu de Arte da UFC (Mauc) até 27 de novembro, a exposição temporária “Zé Pinto – 100 Anos”, em comemoração ao centenário de nascimento de um dos principais artistas da escultura em sucata do Ceará.
O público pode conferir na exposição obras do artista que consolidou uma estética própria ao transformar restos de metal em personagens da memória popular nordestina, como nas esculturas Rendeira, Maria Bonita e Lampião. Documentos históricos do arquivo institucional do Mauc também estão expostos.
O artista visual Francisco Magalhães Barbosa, popularmente conhecido como Zé Pinto, foi servidor público na Faculdade de Medicina por mais de 20 anos e na Casa Amarela Eusélio de Oliveira, ambos na Universidade Federal do Ceará (UFC).
“Iniciou sua produção artística aos 50 anos de idade, transformando o que muitos viam como descartável e sem uso em poesia visual através das suas esculturas. Revelou por meio das sucatas e dos restos de ferro velho a potência da sua criatividade, assim como realizou a crítica social e deu beleza e leveza ao seu fazer artístico”, destaca Graciele Karine Siqueira, diretora do Museu de Arte da UFC.
A partir dos garimpos em ferros velhos e sucatas da cidade, Zé Pinto criou várias esculturas, entre 1975 e 2000, expostas na sua galeria a céu aberto denominada Pintódromo, localizada na avenida Bezerra de Menezes, em Fortaleza.
“Suas esculturas, feitas de molas, para-choques, pregos e tantas peças anônimas e corriqueiras do cotidiano, deram voz à inventividade popular e denunciaram, com ironia e sensibilidade, questões sociais de seu tempo”, descreve Graciele Siqueira.
Zé Pinto teve obras expostas em museus e coleções em outras regiões do Brasil, assim como na Europa e nos Estados Unidos, projetando internacionalmente a força criativa do artista popular. Em 1996, por questões de saúde, parou de produzir. Faleceu em 2004, com 79 anos de idade, deixando suas marcas na memória das artes visuais cearenses.

