A paisagem agrícola do litoral leste cearense ganhou um novo destaque em 2025: a melancia amarela. Produzida pela primeira vez no Estado, no povoado de Cacimba Funda, em Aracati, a fruta foi introduzida pela Cooperativa da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Solidário (Coopades), que aposta no potencial de aceitação do produto devido ao sabor adocicado e à aparência exótica.
Apresentada ao público na Pec Nordeste, em junho, a variedade já entrou em negociação com comerciantes e começou a ser disponibilizada para degustação em pontos estratégicos. De acordo com o presidente da Coopades, José Carlos do Rêgo, a última safra rendeu aproximadamente 6 toneladas. Apesar de cada quilo poder alcançar até R$ 4, a fruta está sendo vendida a R$ 1,20 para facilitar o acesso e atrair consumidores.
O cultivo, porém, exige maior investimento que a melancia tradicional. O agricultor Antônio Braz da Silva, tesoureiro da cooperativa e responsável pela produção, explica que as sementes são importadas do Japão e chegam a custar R$ 620 o milheiro, valor dez vezes superior ao da variedade comum. Atualmente, 12 trabalhadores cuidam de uma área entre 8 e 10 hectares, onde o ciclo de produção leva cerca de 65 dias e cada planta gera apenas uma safra.
Além de atender o mercado local, a Coopades já percebe a procura de compradores de outros estados. Caminhoneiros de Pernambuco, por exemplo, passaram a adquirir a fruta na banca da cooperativa às margens da BR-304 e a revendem em suas cidades. Esse movimento, segundo o presidente, abre novas perspectivas para expansão comercial.
A cooperativa, que reúne 133 famílias agricultoras em diferentes regiões do Ceará, também se prepara para diversificar o portfólio. Experimentos com cenoura e beterraba orgânicas já estão em andamento, enquanto projetos de cultivo de morango, maracujá, pitaya e cacau estão em fase de implantação com novas tecnologias de irrigação. Outro objetivo é estimular o plantio de espécies de alto valor de mercado, como açaí e pimenta-do-reino, no sertão cearense.
Para José Carlos do Rêgo, a introdução da melancia amarela representa não apenas inovação agrícola, mas também uma oportunidade para fortalecer a renda das famílias cooperadas e posicionar o Ceará como referência em novas culturas. “Estamos plantando para colher no mercado”, resume.
Fonte: Portal Folha do Vale

